A evolução da comunicação na Fórmula 1

O rádio é um dos aspectos mais importantes da F1 moderna. A fim de coordenar melhos os esforços de toda a equipe com os pilotos, a comunicação é essencial. Através dela os pilotos têm acesso a todo tipo de informação, que no mundo competitivo da F1, é poder. Seja sobre estratégia de prova, ritmo deles próprios e dos rivais e os objetivos da equipe. A FIA tenta por muito tempo reduzir as liberdades tomadas nessas trocas entre os boxes e os carros, para assim o piloto mais “as cegas”. Se trata de mais um dos incontáveis e polêmicos esforços para deixar a categoria menos previsível. Porém, é fato que o rádio faz parte da cultura do esporte.

Uma ideia poderosa, mas complicada

Mas como essa inovação tão importante para a Fórmula 1 e para o automobilismo surgiu? O registro mais antigo que se tem do uso de uma estratégia de comunicação direta box/piloto data dos anos 30. Alfred Neuvbauer, diretor de competição da Mercedes, criou um sistema de placas e bandeiras. Assim, toda vez que o piloto passava pela reta dos boxes, colocava-se um mecânico para tentar contato. Um método muito similar ao que se usa até hoje, para mostrar os tempos aos pilotos.Mesmo em uma época tão rudimentar, a técnica se mostrou um sucesso, e um fator importante nas conquistas dos carros prateados. No entanto, havia um sério problema. Enquanto a mensagem se propagava facilmente da equipe para o piloto, o pobre do piloto fazia o possível para responder. Não era fácil para a equipe entender os pedidos feitos a mais de 200 km por hora.

As placas são um recurso que permanece na F1 atual Na foto, a Ferrari celebra Schumacher. (Fonte:esporte.uol.com.br/f1/ultimas-noticias/2014/11/06/engenheiro-da-formula-1-e-como-piloto-deve-comecar-nas-categorias-de-base.htm)

Até que nos anos 50, uma ideia procurou resolver o problema dessa comunicação falha. Porém, não veio da ala europeia do automobilismo, mas sim da NASCAR, americana. O dono de equipe Raymond Parks deu walkie-talkies para seus pilotos e seus mecânicos. O equipamento vinha da Segunda Guerra Mundial, recém encerrada. Não demorou muito para que a categoria proibisse a técnica, já que dava muita vantagem para a equipe de Parks. No entanto, nos anos 60 a comunicação foi liberada. Vale notar que a NASCAR oferecia corridas muito mais propícias para um rádio eficiente do que a F1. Isso se devia ao fato de que os ovais não colocavam tanta distância entre os pits e os carros. Agora imagine tentar falar com o piloto em uma pista como Spa, que além de muito extensa, tinha um entorno com muitas árvores.

 A tecnologia tarda, mas evolui

De volta à F1, foi somente nos anos 70 que alguma inovação em comunicação apareceu. A autoria foi de ninguém menos do que Colin Chapman. O lendário fundador da Lotus decidiu usar headphones para se comunicar com seus pilotos. Mas não na pista, e sim nos boxes. Para driblar o som dos motores, a equipe conversava com o piloto por meio dos aparelhos, dando um briefing da estratégia.

Somente em 1984 é que surgiu algo semelhante ao que temos hoje. Comunicação praticamente instantânea e completa, com o carro na pista. Mesmo assim, havia muita interferência, especialmente em pistas como a já citada Spa, ou com muitos obstáculos para o sinal. Com o passar dos anos, o a tecnologia dos rádios foi evoluindo, tornando as mensagens mais claras e úteis. Mesmo que para nós espectadores elas pareçam indecifráveis, sempre há alguém como Luciano Burti para traduzir. Hoje os chefes de equipe têm acesso a vários canais e possibilidades de conversa com seus pilotos. Até mesmo para comandar as tão faladas ordens de equipe. Se trata de um recurso indispensável para o sucesso, já que um mínimo detalhe que passa despercebido pode custar segundos preciosos.

Parte da narrativa

Em uma tentativa de aproximar o fã ao esporte, as mensagens de rádio começaram a ser divulgadas durante as transmissões das corridas. Como sempre nos lembra Galvão Bueno, as falas são gravadas e editadas. No caso de algum momento imperdível vindo da boca de um piloto como Max Verstappen, por exemplo, até censuradas. Essas falas podem ser comentários dos pilotos, frases motivacionais dos engenheiros ou alguma simples constatação de aquecimento dos pneus. Elas ajudam a construir o clima da corrida, e como muitos fãs se divertem com o máximo de informação possível sobre a ação na pista, é um recurso comercial interessante.

Com a nova política de comunicação da categoria implementada pela Liberty Media, as gravações ganharam cada vez mais destaque. Viraram até memes, como as inesquecíveis tiradas de Fernando Alonso, sofrendo com a Mclaren. O vídeo a seguir é o compilado de algumas dessas mensagens, da temporada de 2016.

Porém, alguns pilotos são contra essa prática. Por exemplo, Jenson Button dizia que suas mensagens eram direcionadas à equipe, e não público. De fato, há merito nessa afirmação, que se une aos esforços da FIA em limitar a comunicação em si. Enquanto isso, a Liberty Media procura agradar os fãs que querem o máximo de interatividade. Na verdade, qualquer mudança no regulamento ou nas transmissões nunca vai retroceder com a incrível invenção do rádio. Hoje, ele é fundamental em um esporte com um nível cada vez mais alto de competição.

Fonte de pesquisa: Projeto Motor

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