A História dos Grandes Prêmios – França 1952

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O GP da França foi a quarta etapa do campeonato mundial de 1952. A corrida foi disputada no dia 6 de julho, no autódromo de Rouen-Les-Essarts. Foi a estreia da pista na categoria, que também sediou o Grand Prix francês nos anos de 1957, 1962, 1964 e 1968. Localizado na proximidade da cidade de Grand-Couronne, na região da Normandia, o circuito era um das referências em modernidade na época. Fundado em 1950, possuía arquibancadas, uma faixa separada para os pits e uma área de paddock. O traçado original, que foi usado em 52, tinha 5,1 km de extensão, com destaque para o grampo da curva Nouveu Monde e a sessão em descida chamada de Six Fréres. Foi nessa última que  piloto francês Jo Schlesser se acidentou fatalmente, em 1968.

A Ferrari vinha de uma corrida dominante na etapa anterior, na Bélgica. Já na França os italianos repetiram a dose. Alberto Ascari venceu novamente, e seus companheiros Giuseppe Farina e Piero Taruffi fecharam o pódio. Em sua quarta vitória na F1, Ascari também fez a pole position, a melhor volta e liderou a prova de ponta a ponta. Ou seja, foi o primeiro Grand Chelem da carreira do italiano, que marcou cinco no total. Realmente, 1952 não foi um ano para se discutir vitórias com a Scuderia.

Lineup da corrida

Como já foi dito, a Ferrari levou seu trio padrão para a França: Ascari, Farina e Taruffi. Mas havia mais carros do cavalinho na pista naquele dia. Louis Rosier estava equipado com seu modelo 500 azul. Já Rudolf Fischer guiou um carro esporte, uma Ferrari 212. Além deles, Gianfranco Comotti e Piero Carini se inscreveram com duas antigas Ferraris 166, da Fórmula 2.

A equipe da casa, a Gordini, alinhou cinco carros. A esperança dos franceses em derrotar a Ferrari estava depositada em Jean Behra, que deu um bom trabalho para os carros de vermelho na Bélgica. Robert Manzon, Prince Bira e Maurice Trintignant completaram o elenco da equipe principal. Enquanto Johnny Claes estava equipado com seu Simca-Gordini privado.

A HWM apostou em apenas três competidores. A equipe britânica tinha a dupla Peter Collins e Lance Macklin, além de Yves-Giraud Cabantous como piloto convidado. Já a Cooper tinha apenas um inscrito: Mike Hawthorn, que convenceu em sua estreia na Bélgica, a bordo do modelo T20. Peter Whitehead também estava solitário, com seu chassi Alta, usado na Formula 2, trocando sua Ferrari 125 velha de guerra.

Por fim, a Maserati. A equipe de fábrica não correu, mas duas equipes utilizaram os carros italianos nesse GP da França. O time de Enrico Platé equipou a dupla Emmanuel de Graffenried e Harry Schell com o modelo 4CLT. A outra equipe foi a Escuderia Bandeirantes, um time que era administrado pelo brasileiro Chico Landi, conjunto com Eitel Cantoni, Alberto Crespo e Gino Bianco. Na estreia da equipe na Fórmula 1, Philippe Étancelin se inscreveu para correr com a Maserati A6GCM.

Grid de Largada

Ascari fez sua quarta pole position com um tempo de 2min12s8. Farina (4 segundos mais lento) e Taruffi o acompanharam na primeira fila. Logo atrás, Behra e Manzon ficaram com a P4 e a P5. Na terceira fila, Trintignant saiu da sexta colocação, enquanto Prince Bira partiu da sétima e Collins da oitava. Rosier e Giraud-Cabantous compuseram a quarta fila, com o nono e o décimo. O futuro campeão Hawthorn ficou com a P15, enquanto a Maserati da Bandeirantes, com Etancelin a bordo, saiu da P16.

                              Um GP da França previsível…Ascari e Farina largaram bem e já dispararam, mantendo a ponta. Porém, a outra Ferrari de Taruffi não saiu tão bem, sendo ultrapassada por Behra e Manzon. Diante do excitado público francês, os Gordinis faziam o possível para acompanhar as Ferraris. O ritmo era tão forte que na volta 3 Behra escapou; ele teve que passar nos pits para reparos, caindo para o fundo do pelotão. Antes disso, na volta 2, Carini foi responsável pelo primeiro abandono da prova, por uma falha no motor.

Taruffi começou a ganhar terreno sobre Manzon, até passá-lo na volta 4. Com isso reconquistando as três primeiras posições para a Ferrari, que manteria a ponta até a quadriculada. Mesmo ficando bem para trás, Manzon se manteve relativamente confortável na quarta colocação. A briga do momento era entre o companheiro dele, Trintignant, e o trio britânico que o seguia: Collins, Macklin e Hawthorn.

Taruffi segue Behra para recuperar a terceira colocação.

…mas com os jovens brilhando

Hawthorn já estava impressionando novamente, como fizera na Bélgica. O jovem talento conseguiu transformar sua P15 inicial em um oitavo lugar. Na volta 26 ele ultrapassou Macklin, agora tendo Collins pela frente. Nesse momento o público francês teve um pequeno aperitivo de uma disputa que marcaria o esporte no futuro. Por 15 voltas, Collins e Hawthorn se degladiaram na pista de Rouen-Les-Essarts. Até que na volta 42 Hawthorn consegue passar o compatriota, assumindo a sétima colocação. Assim, ele tinha Trintignant a frente. Ao contrário de Collins, que não vendeu barato, bastaram três voltas para o piloto da Cooper ultrapassar o francês.

Porém, logo depois Hawthorn começou a ter problemas de motor. Seu ritmo foi caindo, e ele foi ultrapassado de volta por Trintignant, Collins e Macklin. Os pits eram o destino óbvio. Ele chegou a retornar para a pista, mas como o problema persistiu, decidiu abandonar na volta 51. Enquanto isso, os dois Gordinis de Bira e Behra retomavam o ritmo, escalando o pelotão. Foram impedidos de prosseguir por Collins, que defendeu a posição de todas as formas possíveis. Bira teve que abandonar na volta 56 com problemas de eixo, e Behra não conseguiu passar o jovem britânico.

A bandeirada foi dada para Ascari, que dominou tanto que deu uma volta inteira em Farina, que por sua vez, deu uma em Taruffi. Manzon obteve um ótimo quarto lugar, seguido por Trintignant em quinto e Collins em sexto. Já Behra teve que se contentar com a sétima posição, seguido pela “Maserati brasileira” de Etancelin, em um bom oitavo posto.

Resultado do GP da França de 1952

Com a vitória e o ponto extra da melhor volta, Ascari somou nove pontos no campeonato. Dessa forma, passou a liderar com 18 pontos. Taruffi levou quatro pontos  e estava com 13, em segundo no campeonato. Apenas um ponto a mais que Farina, que somou seis e assumiu a terceira colocação. Com isso, a Ferrari se isolou na tabela, já na quarta etapa do campeonato mundial.

 

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