A História dos Grandes Prêmios – Suíça 1951

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A temporada de 1951 da Fórmula 1 foi a segunda da história da categoria, sem muitas mudanças em relação a 1950. Dessa vez, o campeonato teve oito corridas, em vez das sete do ano anterior. Isso se explica pela adição de dois GPs ao calendário, o da Alemanha e o da Espanha. Além disso, o GP de Mônaco não fez parte do ano da F1 em 1951. Assim, temos um total de oito corridas, sete na Europa mais uma nos Estados Unidos: as 500 Milhas da Indianapolis. A saber, 51 foi o primeiro ano que contou com um brasileiro no grid. Foi Chico Landi, que participou apenas da corrida na Itália, pela Ferrari. Nossa história no esporte não começou tão bem quanto o seu futuro, já que ele abandonou logo na primeira volta. Mas vamos contar com mais detalhes mais para frente na série.

Um pouco de contexto

A temporada teve início na Suíça, no dia 27 de maio, o tema desse post. Sim, a espera que o fã de Fórmula 1 tinha que suportar era bem maior. A última corrida, na Espanha, em 22 de outubro, colocou o nome de Juan Manuel Fangio pela primeira vez na lista de campeões. Era apenas o primeiro título do argentino, que conquistaria mais quatro canecos. Assim como o ano anterior, ele guiou pela Alfa Romeo, que dominou a temporada de 1950. Contudo, mesmo levando o título e conquistando quatro vitórias nos circuitos europeus, o domínio da Alfa foi desafiado com propriedades.

Em virtude de uma série de problemas com o carro em 50, a Ferrari não conseguiu representar uma ameaça forte para a Alfa. Porém, no ano seguinte, a equipe que viria a ser a mais tradicional da Fórmula 1 melhorou muito seus resultados. Os italianos não apenas venceram as outras três corridas europeias mas também colocaram Alberto Ascari em segundo no campeonato. Ele terminou o ano com 25 pontos, apenas seis atrás de Fangio. Com esse panorama, podemos concluir que foi uma temporada bem mais emocionante. Mas isso vamos descobrir juntos, começando hoje pelo Grande Prêmio da Suíça de 1951.

Pôster Oficial do Grande Prêmio da Suíça de 1951. (Fonte: statsf1.com)

Preparativos da primeira largada do ano

A corrida foi disputada em Bremgarten,  próximo a Berna, o mesmo local do ano anterior. Era um circuito de rua, que levava os pilotos a percorrerem em altíssima velocidade áreas de um parque público. Também era muito traiçoeiro, já que suas curvas presenciaram dois acidentes que terminaram com a carreira de dois franceses. Em 1950, Eugène Martin, e na prova de 1951, Henri Louveau. A pista era longa, com uma volta de 7,28 km e 42 voltas para a bandeira quadriculada.

A Alfa Romeo levou seu modelo Alfetta 159 para a corrida inaugural na Suíça. O 159 teve sua estreia na última corrida de 50, em Monza, e contava com uma nova suspensão traseira. Além dos velhos conhecidos Fangio e Farina (o defensor do título), mais dois pilotos guiaram pela Alfa. O suíço Emmanuel de Graffenried e o italiano Consalo Sanesi.

A Ferrari, por sua vez, levou o 375 F1, que também participou do campeonato de 1950. Guiando esse modelo estavam Ascari, Villoresi e Tanuffi.  O inglês Peter Whitehead e o suíço Rudi Fischer também correram pela Ferrari, com chassis privados.

Além das duas equipes da ponta, a britânica HMW, equipada com os motores Alta, alinhou Stirling Moss (ele mesmo) e George Abecassis. O suíço Peter Hert participou com seu solitário modelo Veritas Meteor 2L. A Maserati também veio com uma dupla: o americano Harry Schell e o francês Louis Chiron. Por fim, o restante do grid de 21 carros era composto de sete pilotos da Talbot Lago.

A largada fundamental de Fangio

O final de semana foi de muita chuva. Nos treinos, Fangio fez a pole com o tempo de 2min35s9. Ele foi seguido por Farina em segundo e Villoresi em terceiro. Sanesi conquistou o quarto posto, de Graffenried o quinto. As Ferraris preencheram o restante do Top 10, com Loius Rosier de intruso (e melhor dos Talbots) em oitavo. Assim se alinharam: Taruffi (P6), Ascari (P7), Whitehead (P9) e  Fischer (P10).

Piero Taruffi guia corajosamente sua Ferrari sob forte chuva na pista suíça. (Fonte: gpexpert.com)

Antes da largada, o diretor de prova permitiu que os pilotos dessem uma volta de reconhecimento na pista. Com a bandeirada, Fangio se segura na ponta e é seguido por Farina, Sanesi e Villoresi. Logo na primeira volta, já um abandono. O Veritas de Peter Hirt, que já havia dado problema nos treinos, dessa vez sofre com uma falha na bomba de combustível. Na quinta volta, Villoresi ultrapassa Sanesi. Tente conceber a situação em que esses pilotos se encontravam por um instante. A visibilidade era terrível, com jatos de água espalhados pelas rodas do carro da frente. Se já era difícil se manter na pista, ao volante de um carro muito difícil de guiar, imagine tentar uma ultrapassagem.

Domínio do argentino na chuva

Na 9ª volta, Taruffi, que se mostrou um excelente piloto em pista molhada, ganha a posição de Ascari e pula para sexto. Na próxima volta, a diferença de Fangio para Farina era de três segundos; de Farina para Villoresi, bem maior: de 20 segundos. Logo, a corrida de Villoresi chega ao fim. Na 12ª volta, ele escapa em um curva e vai parar na antepassada do muro de pneus: a pilha da fardos de feno. Na 13ª, Taruffi alcança a terceira colocação.

Lá na frente, Fangio só consolida sua liderança. Na volta 20 sua vantagem para Farina é de 31 segundos e para Taruffi de 41 segundos. Na volta 23 ele para nos boxes e o companheiro de equipe assume a ponta até a volta 28. Na volta 32 ocorre o gravíssimo acidente de Louveau. Ele perdeu o controle e bateu em um poste telegráfico, quebrando a perna e a clavícula. Como dito, esse acidente significou o fim da carreira dele. A seguir, na volta 33, Fangio faz a melhor volta, de 2min51s1, que garantiu a ele um ponto extra.

Whitehead consegue ultrapassar Ascari na volta 35, mas seu bom desempenho durou pouco. Duas voltas depois, ele também sofre um grave acidente, quebrando nariz no para brisa. Enquanto isso, Taruffi consegue tirar cada vez mais a diferença para o campeão Farina. Na volta 38, ele o alcança, e de frente para o público, consegue a ultrapassagem. Caso a votação de piloto do dia existisse nessa época, Taruffi com certeza a levaria. Dessa forma, as posições são mantidas até a última volta. Fangio vence dominando o GP da Suiça, e é acompanhado no pódio por Taruffi e Farina.

Resultado do GP da Suiça de 1951

A situação do campeonato: Fangio tem 9 pontos, seguido de Taruffi com 6  e Farina com 4. Sanesi, que cruzou em quarto, tem 3 pontos e de Graffenried, que terminou em quinto, tem 2.

Tabela de autoria do site gpexpert.com

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