Bottas é pole em Baku ; Leclerc bate no Q2 e joga fora favoritismo

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Mais uma vez o padrão de final de semana se repetiu para o GP do Azerbaijão em Baku. Valtteri Bottas ficou com a pole, e a Mercedes ainda conseguiu uma dobradinha para a largada, com Hamilton em segundo. Dentro da imprevisibilidade do esporte, um padrão vem se estabelecendo na temporada de 2019. A Ferrari apresenta um bom ritmo nos treinos livres, a Mercedes diz que é mais lenta, no Q3 os carros prateados voam.

Em Baku não foi diferente. Os italianos lideraram todos os treinos livres, e a grande aposta para a posição de honra era Charles Leclerc. Na verdade, o padrão poderia ser quebrado caso o monegasco não tivesse batido forte na curva do castelo no Q2. Assim, ele não participou do Q3, mostrando uma frustração extrema. Vettel, por sua vez, foi vítima de más escolhas por parte da equipe e teve que se contentar com um terceiro lugar para amanhã.

Os treinos foram muito movimentados na parte de trás do grid. Com direito a Williams parando o TL1 por passar em cima de um bueiro. Para ficar bem informado sobre o que aconteceu durante todo o fim de semana para amanhã, vamos a um rápido resumo.

A imagem dos treinos: Charles Leclerc sai frustrado depois de perder a chance de lutar pela pole em Baku. (Crédito: Clive Manson)

 Treino Livre 1

O primeiro treino livre em Baku praticamente não aconteceu. Aos 12 minutos, George Russell passou com sua combalida Williams por um bueiro entre as curvas 2 e 3. O choque danificou fortemente o assoalho do carro, obrigando o inglês a encostar na pista. Logo, uma bandeira vermelha foi anunciada. Contudo, decidiu-se que era necessário suspender a sessão, a fim de que os outros bueiros do circuito de rua fossem verificados.

Para piorar a situação, o carro de Russell seria vítima de mais um incidente. Quando o caminhão guincho foi retira-lo da pista, bateu a haste em uma passarela do circuito, danificando seu sistema hidráulico. Com isso, óleo começou a derramar na parte traseira do FW42.

Claire Williams classificou a situação como “inaceitável”. Essa reação é compreensível, já que sua equipe não vai nada bem na parte de trás do grid, e ainda sofre com prejuízos como esse. O estrago foi tanto que A Williams teve que trocar o chassi do carro, impedindo Russell de participar do FP2.

A impressão que se passou foi de amadorismo por parte da organização da prova. Simplesmente pelo fato de que isso é raríssimo na maior categoria do automobilismo mundial. Depois se descobriu o “responsável” pelo estado da pista. Charles Leclerc passou por ali momentos antes, deslocando um pouco o bueiro. Mas ele não sofreu nenhum dano, e sobrou para Russell.

A Ferrari foi a única equipe a marcar tempos no FP1. As outras, com exceção da Mercedes, conseguiram dar apenas voltas de instalação. Leclerc ficou em primeiro com um tempo de 1min47s457, com pneus médios. Vettel veio atrás, dois segundos mais lento que o companheiro.

Treino Livre 2

No segundo treino livre em Baku, pudemos ter uma real noção de forças no final de semana. A Ferrari manteve as posições do primeiro treino, com Leclerc em primeiro (1min42s872) e Vettel em segundo, três décimos atrás. Hamilton veio em terceiro, com seis décimos de desvantagem para o líder. Verstappen foi o quarto (+0,9 segundos) e Bottas o quinto (+1,1 segundos).

Ainda que dessa vez a sessão tenha acontecido, não faltaram incidentes. Aos 15 minutos, Lance Stroll perdeu a freiada na curva 2 e bateu a roda dianteira esquerda de seu Racing Point no muro. Logicamente, isso trouxe uma bandeira vermelha. A equipe ainda conseguiu colocar o canadense na pista nos últimos cinco minutos de sessão.

Também tivemos mais uma bandeira vermelha, dessa vez de responsabilidade do torpedo russo, Daniil Kvyat. Na saída da curva 7 ele perdeu o controle e arrebentou a suspensão dianteira esquerda. A Toro Rosso não conseguiu coloca-lo de volta na pista até o fim da sessão, mas o trabalho antes do incidente foi bom. Kvyat terminou na P6, acompanhado do colega Albon na P8.

Kvyat sai da Toro Rosso com a suspensão detonada. (Reprodução Twitter oficial F1)

Além desses dois casos, vários outros pilotos passaram perto de acabar no muro. A pista de Baku mostrou suas dificuldades, com pontos de frenagem bem técnicos. O pior de todos foi Daniel Ricciardo, que deu uma boa travada na curva 15 queimou os freios de sua Renault. O estrago no pneu foi tão grande que ele não conseguiu voltar.

Nessa sessão, uma punição foi conferida a Pierre Gasly, por não parar no pit lane para pesar seu carro. Assim, ele larga dos boxes amanhã. Com um começo de carreira na Red Bull longe de consistente, era a última coisa que o francês precisava.

Treino Livre 3

Nesse ponto, Hamilton declarou que a diferença para a Ferrari seria difícil de diminuir. Ele estava certo, pelo menos falando do TL3. A Ferrari liderou novamente, com uma boa vantagem sobre os rivais. E de novo Charles Leclerc ficou na ponta, com um tempo de 1min41s604, calçando os macios. Do outro lado do box vermelho, Vettel em segundo dois décimos mais lento. Para o terceiro colocado, Verstappen, um buraco: 1.2 segundo de desvantagem do holandês para o monegasco. As Mercedes vieram logo atrás, com Bottas em quarto (+1,4 segundos) e Hamilton em quinto (+1,5 segundos).

Foi um treino relativamente tranquilo, livre de incidentes. O máximo de emoção foi fornecido por Carlos Sainz, que quase acertou a Toro Rosso de Alexander Albon, que vinha mais lento. Sainz inclusive não conseguiu manter o bom ritmo de sexta e terminou na P13. Alguns destaques do Top 10 foram: as duas Toro Rosso (P6 e P8), Magnussen em sétimo e Perez (considerado um forte competidor em Baku) em nono.

George Russell conseguiu dar suas voltas nesse terceiro treino, mas voltou para a mesma realidade da Williams. Ele e seu companheiro Robert Kubica só não terminaram com os dois últimos lugares porque Gasly fez o tempo mais lento da sessão.

Fechando todos os três treinos livres na liderança, Leclerc era a melhor aposta para a pole em Baku. (Reprodução Scuderia Ferrari)

 

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Treino Classificatório

Q1

A primeira sessão de classificação é normalmente mais tranquila, com um número menor de pilotos forçando seus carros. Porém, levando em consideração a situação da Williams, Robert Kubica era com certeza um deles. A busca por alguns décimos de melhora no tempo resultou no polonês enfiando seu carro no muro da curva do castelo. Ele na verdade bateu inicialmente no muro esquerdo da curva, o que o jogou direto para o direito. A bandeira vermelha atrasou a sessão em 30 minutos, já que o espaço para o trabalho dos oficiais não é muito naquela curva.

Leclerc iria fazer o melhor tempo dessa sessão novamente, caso não fosse a repentina motivação de Gasly para roubar a ponta. Mesmo punido e obrigado a largar dos boxes na corrida, o piloto da Red Bull colocou 90 milésimos no colega no final do Q1 em Baku.

Os eliminados foram: Stroll, Grosjean, Hulkenberg, Russell e Kubica. A eliminação de Grosjean resultou no primeiro Q3 sem a presença dos dois carros da Haas até agora.

Como se não bastasse o drama da Williams, Kubica perdeu qualquer chance de melhorar com a batida no Q1. (Reprodução Twitter Oficial F1)

Q2

Com cinco minutos da segunda sessão de classificação, mais um carro bateu exatamente no mesmo lugar que Kubica momentos antes. E para a tristeza dos ferraristas, era o carro de Charles Leclerc. O jovem piloto da Ferrari saiu do carro muito frustrado, enquanto via o companheiro (e crescente rival) Vettel passar por ele. Leclerc se auto denominou “estúpido” no momento e depois, nas redes sociais, como “inútil”. Sem dúvidas, a pressão da equipe e dele próprio é enorme. Hamilton, mais tarde, ofereceu palavras de conforto ao piloto, fazendo um paralelo com o início de sua própria carreira.

Mesmo assim, Leclerc conseguiu fazer um tempo forte o suficiente para levá-lo ao Q3. Na pior das hipóteses, ele largaria em décimo. Contudo, Antonio Giovinazzi, que classificaria em 8º, foi punido em dez posições por troca de peças. Assim, o piloto do carro número 16 larga em nono amanhã. Veremos como será sua primeira corrida de recuperação pela Ferrari.

Os eliminados da vez foram: Sainz, Ricciardo, Albon, Magnussen e Gasly.

Q3

A classificação já havia sido dramática o suficiente, mas o momento mais importante havia chegado. Com Leclerc fora da disputa, as atenções recaíram sobre Vettel, que tinha o ritmo até então dominante da Ferrari à disposição. Contudo, o alemão foi rapidamente ofuscado pelas primeiras voltas dos rivais, Hamilton e Verstappen. Na primeira tentativa, o inglês foi 8 décimos mais rápido que a pole do ano passado. Verstappen fez uma estratégia diferente, usando de voltas mais lentas para depois forçar novamente. Com isso o holandês saiu uma vez só.

Na segunda saída, Vettel foi parar na ponta do pelotão, enquanto as Mercedes ficaram para trás na saída do pit lane. Apesar de um primeiro setor bom, o alemão não conseguiu superar o tempo de Hamilton. Portanto, a lógica daria a pole para uma das Mercedes, que vinham disputando os melhores setores. Hamilton acabou errando na volta e Bottas achou a volta perfeita para lhe dar a pole. Assim, Vettel, apesar do favoritismo herdado de Leclerc, larga do terceiro posto amanhã.

Os três mais rápidos do Q3 em Baku. (Fonte: formula1.com)

A corrida com certeza promete ser boa. Não só pela composição das filas como também pela corrida de recuperação de Leclerc. E claro, não podemos deixar de esquecer que qualquer previsão para a prova de Baku é muita presunção para esse incrível circuito de rua.

Resultado completo do treino classificatório

Reprodução do Twitter oficial da F1.

 

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