Carel De Beaufort

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“Não há outro jeito de lidar com a situação nesse velho carro meu: eu só tomo cuidado para ir ganhando terreno de forma sensível e ir passando um carro de cada vez.”

Foi assim que, num dia feliz, Carel Godin de Beaufort (1934-1964) resumiu a si mesmo. Não era um frequentador assíduo no rol dos pontuáveis, mas foi muito ovacionado em cada uma das quatro vezes que pontuou na F1, todas com um 6º lugar, o que legou-lhe quatro pontinhos nas tabelas do ranking. Após essas conquistas, notáveis tendo em vista o carro ultrapassado que teimava em pilotar como ‘piloto-proprietário de equipe’, ele até pôde pousar de filósofo do volante:

“Esse é meu estilo: calmo pra ser rápido e constante ao longo da corrida.”

Depois de sobreviver a um princípio de carreira muito desastroso e criticado como piloto sem juízo e propenso a tirar os outros da pista, refinou-se o quanto pode e foi realmente agraciado por ser um piloto que, apesar de longe dos ponteiros, com certa frequência largava e terminava a corrida. Gozou de absoluto respeito entre seus pares e boa parte do público principalmente no final da carreira em princípios dos anos 60. Era querido principalmente graças a seu espírito tenaz, jovial interesse pelas corridas de carro e indelével simpatia. Ele com frequência era visto fazendo os outros rirem de suas tiradas de bom-humor auto-depreciativo.

Entre 1957 e 1964, disputou 28 corridas. Figura constante a bordo de um monoposto Porsche na cor laranja, teimosamente levava uma diminuta comitiva de mecânicos em sua Ecurie Maarsbergen, a equipe que fundou pra levar pelo circo da F1 o nome das propriedades que herdara graças a seu título de nobre holandês. Em 1961 adquiriu um Porsche 718, carro obeso e desajeitado mas tão querido ao afável piloto que ele simplesmente não pôde se desfazer dele; foi fiel àquele gordinho alaranjado até a morte, acontecida durante os treinos para o GP da Alemanha de 1964 em Nürburgring.

Era feliz a ponto de fazer pouco caso do estrelato de pertencer a uma equipe de fábrica: “É tão bom ser um ‘privateer’!… Você consegue uma satisfação imensa ao derrotar os pilotos das grandes equipes…”

Sua informalidade deixou saudade nas pistas. Era muito comum encontrá-lo ao volante descalço e pronto pra pilotar. Há quem diga que no momento de seu acidente fatal usava uma peruca dos Beatles ao invés do capacete.

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