História dos Circuitos da Fórmula 1 – Watkins Glen

Boa noite amados, hoje nós iremos estrear uma nova sessão aqui na nossa coluna, nela nós vamos conhecer um pouquinho mais de cada pista que já esteve e está no calendário da Fórmula 1, falando sobre a história, as estatísticas das corridas disputadas, as curvas, as retas, as características de relevo, tudo destrinchado nos melhores detalhes possíveis, para ficarmos cada vez mais íntimos de todos os locais em que são e foram realizadas as etapas dos mundiais. Hoje começaremos com uma verdadeira pérola norte-americana, me refiro claro sobre Watkins Glen, a qual também é carinhosamente chamada pelos fãs simplesmente como “The Glen”, então pessoal, sem mais atrasos, vamos começar a nossa “viagem turística” por essa verdadeira joia localizada próxima a Nova York, começando por contar a parte histórica.

 

História

O primeiro esboço de um traçado de competições automobilísticas em Watkins Glen, surgiu no segundo pós-guerra, através do pioneiro Cameron Argetsinger (1921-2008).

Raríssima foto da corrida de 1948, a qual ficou carinhosamente conhecida como “O Dia Em Que Eles Pararam os Trens”.

A história da pista de Watkins Glen remete ao pós-guerra, mais precisamente ao ano de 1948, quando o jovem estudante de direito Cameron Argetsinger, um entusiasta de automobilismo e de esportes como um todo, sonhava em levar o maravilhoso mundo das corridas de automóveis ao pequeno vilarejo localizado nas cercanias da famosa metrópole norte-americana de Nova York, Cameron frequentemente passava as suas férias de verão em Watkins Glen e buscava maneiras de entreter os cidadãos locais sempre que possível. Esse sonho se tornou realidade no dia 2 de outubro de 1948, após o apaixonado entusiasta natural de Youngstown, Ohio ter desenhado ele mesmo um desafiador traçado em torno da pequena cidade, este percurso possuía uma ótima variedade de trechos que mesclava setores com asfalto, cimento e um punhado generoso de estradas de terra.

Esta data ficou conhecida como “The Day They Stopped the Trains” ou no bom português, “O Dia Em Que Eles Pararam os Trens”, pois foi exatamente a primeira competição automobilística pós-Segunda Guerra Mundial nos Estados Unidos e entre um período exato de cinco anos, os principais pilotos de carros esportivos de todo o país costumeiramente iriam até Watkins Glen se digladiarem curva a curva, perante uma apaixonada multidão de pessoas composta por cidadãos locais, curiosos, viajantes e turistas apaixonados por automobilismo.

O britânico Innes Ireland venceu o primeiro Grande Prêmio dos Estados Unidos de Fórmula 1 disputado em Watkins Glen, prova esta que foi a de encerramento da temporada de 1961.

Watkins Glen também foi palco da primeira vitória do brasileiro Emerson Fittipaldi na Fórmula 1, em 1970.

No ano de 1953, o tradicional “Watkins Glen Grand Prix” ganharia um novo e temporário traçado de aproximadamente 7.403 km de extensão, o qual iria substituir o já conhecido percurso do vilarejo que contava na época com mastodônticos 10.621 km, mas o circuito permanente que conhecemos hoje, foi construído e financiado de fato por Argetsinger no ano de 1956 com um interessante traçado de 3.782 km de extensão – o qual foi posteriormente ampliado para a especificação atual -, sendo através dessa configuração que “The Glen” se tornou enfim uma das Mecas do automobilismo norte-americano, recebendo as mais icônicas e tradicionais categorias locais quando no ano de 1961, a acolhedora vila nova-iorquina recebeu a sua primeira chance sediando uma etapa da Fórmula 1, mais precisamente a de encerramento do campeonato, sendo vencida pelo britânico Innes Ireland a bordo de uma Lotus 21 equipada com motores Clímax, a qual infelizmente não foi tão festejada devido a morte do alemão Wolfgang von Trips na corrida anterior, disputada em Monza, tanto que não contou com seu herói local recém consagrado como campeão mundial da categoria, o também ferrarista Phil Hill como sinal de luto.

Mas nem tudo foi um mar de florzinhas na estadia de Watkins Glen na Fórmula 1, principalmente após a reforma de ampliação da pista norte-americana. Em 1973 quem perdeu a vida foi o francês François Cevert…

Enquanto que em 1974, foi a vez do austríaco Helmut Koinigg ter uma morte trágica em The Glen.

Tom Pryce e sua americaníssima Shadow, no famoso trecho da “botinha”, uma das novidades da ampliação de traçado feita em 1971, a foto é de 1975.

A partir desta temporada, “The Glen” sediou provas da Fórmula 1 de maneira ininterrupta até 1980, passando nesse período por momentos emocionalmente tocantes como consagrações de campeões mundiais, a primeira vitória do brasileiro Emerson Fittipaldi em conjunto com o título post-mortem de Jochen Rindt em 1970 e a única vitória do francês François Cevert na categoria em 1971 representando os exemplos positivos da estadia da pista nova-iorquina, mas também registrou outros do mais profundo pesar como as mortes do próprio Cevert em 1973 e do austríaco Helmut Koinigg em 1974, além da exorbitante dívida que os organizadores contraíram ao efetuarem a ampliação dos 3.782 km originais para os atuais 5.435 km, visando a prova de 1971 e atrasos aos pagamentos de premiações das equipes, pormenores financeiros esses que por muito pouco não ocasionaram a extinção do autódromo em 1981, mas não sem antes receber a festa do único título de Alan Jones na Fórmula 1, em 1980, quando o acolhedor vilarejo recebeu o Grande Prêmio do Leste dos Estados Unidos, corrida esta que também foi vencida pelo australiano, sendo a derradeira e última de Watkins Glen até o presente momento.

A despedida de Watkins Glen da Fórmula 1, se deu no Grande Prêmio do Leste dos Estados Unidos de 1980, com vitória de Alan Jones, o campeão da respectiva temporada.

Felizmente foi possível realizar uma boa reestruturação financeira e continuar sediando as melhores categorias norte-americanas, rotina que permanece inalterada até hoje, salvo raras oportunidades em que a volta da “American Road-Racing Mecca” é cogitada por organizadores da Fórmula 1 para fazer companhia a atual etapa disputada na texana Austin.

Estatísticas

Tabela com todos os vencedores das provas disputadas em Watkins Glen. (Fonte: GP Expert)

Volta Recorde (Traçado de 1961-1970): 1:02:074 (Jacky Ickx, Ferrari 312B, 1970) – Corrida.

Volta Recorde (Traçado de 1971-1980): 1:33:201 (Bruno Giacomelli, Alfa Romeo 179, 1980) – Qualificação.

Maior Vencedor (Pilotos): Graham Hill (Reino Unido) e Jim Clark (Reino Unido) – 3 vitórias.

Maior Vencedor (Equipes): Lotus (Reino Unido) – 7 vitórias.

Linha do Tempo

Nesta foto, nós temos o pioneiro traçado citadino de 1948, notem que ele era composto de trechos de asfalto e cimento, em conjunto com algumas estradas de terra. Ele tinha a mastodôntica extensão de 10.621 km e foi utilizado até o ano de 1952.

O segundo traçado urbano possuía 7.403 Km e foi utilizado entre 1953 a 1955.

O primeiro traçado do circuito permanente, esta variante tinha 3.782 km e foi utilizada entre 1956 a 1970.

E por fim o traçado utilizado desde 1971 até os dias atuais, o qual possui a extensão de 5.435 km.

Características

O mapa de elevação de Watkins Glen, nos faz constatar a riquíssima variedade de relevo e inclinações da pista.

  • The 90 (The Ninety): Se trata da primeira curva do circuito após a reta de largada, embora ela seja dotada de um ângulo mais fechado, a leve inclinação e a grande declividade existentes nessa parte permite que a velocidade para contorná-la seja um pouquinho maior.
  • The Esses: É o ponto mais famoso e desafiador da pista, mas também é de longe o mais crítico e traiçoeiro, é uma sequência de duas curvas muito rápidas, sendo a primeira perna feita em aclive. Como ela possui 2 sessões de guard-rails dramaticamente coladas a pista, é uma curva que não perdoa absolutamente nenhum tipo de erro, nem mesmo erros simples de tração ou tangência. Foi exatamente neste complicado trecho que o francês François Cevert sofreu o seu acidente fatal na corrida de 1973.
  • Back Straight: Não só é a maior reta disponível em todo o circuito, como também é o ponto em que carros e pilotos atingem a maior velocidade da pista.
  • Outer Loop: Uma rapidíssima curva de raio longo, onde a entrada é feita praticamente as cegas, pois é um trecho dotado de uma grande declividade, ainda sim, é uma curva em que se é bastante necessário dosar a velocidade para evitar contratempos em uma volta rápida.
  • Chute: Se trata de uma curva de raio um pouco mais fechado que a Outer Loop, ela não é totalmente lenta, devido a sua acentuada declividade, mas ainda sim não é bom subestimá-la porque não há espaço para o menor dos erros, devido a sua minúscula área de escape.
  • Toe: Outro trecho da chamada “bota” de Watkins Glen, essa é uma curva de aproximadamente 180º a qual exige uma redução bastante drástica de velocidade, não só por ser mais fechada ou possuir uma visão cega, mas também por conta do grande embalo que os carros pegam na grande descida, isso torna difícil encontrar qualquer ponto de frenagem considerado “perfeito”, obrigando todos os pilotos a improvisarem como podem neste trecho, pois a segunda perna logo é contornada em subida e exige uma saída mais forte da curva como um todo. Foi exatamente neste trecho que o austríaco Helmut Koinigg faleceu em 1974.
  • “The Boot”: Não é exatamente este o nome do trecho, mas serve para identificar o curto trecho retilíneo de grande aclividade.
  • Heel: Uma curva a direita de ângulo bastante fechado, de aproximadamente 90º que assim como o Toe, é um carrossel, pois a tangência começa com aclive e termina em um acentuado e brusco declive.
  • Antepenúltima Curva: Uma das três curvas não nomeadas no circuito, ela é bastante semelhante ao Heel, porém é tangenciada para a esquerda, não exige reduções muito grandes de velocidade, possui uma primeira perna munida de um aclive e por fim marca o início do único setor realmente plano de The Glen.
  • Penúltima Curva: Outra curva para a esquerda, mas como possui um ângulo relativamente mais aberto, pode ser contornada em alta velocidade, dependendo da técnica do piloto e da eficiência do carro em questão.
  • Última Curva (“Vitória” se formos seguir costumes brasileiros de pronúncia): A última curva da pista é para a direita e também possui um ângulo razoavelmente aberto, embora não possa ser contornada com aceleração total, ela é um pouco mais flexível, podendo ser contornada com uma boa velocidade para completar a reta de chegada/largada sem maiores problemas, desde que evite ao máximo a curta área de escape externa e possíveis “beliscões” no guard-rail.

Volta Completa

Embarque de carona na Tyrrell 008 de Didier Pironi, em uma volta completa pelo maravilhoso traçado de Watkins Glen, datada de 1978.

Muito bem amados, chegamos ao fim de mais uma maravilhosa aventura, eu espero muito que tenham gostado não só do texto em si, mas também por terem conhecido um pouco mais desta encantadora pista norte-americana. Um abraço bastante caloroso nos corações de todos!

Att Bárbara Maffessoni.

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