Maurício Gugelmin: a curta carreira de um brasileiro na F1

O rol de brasileiros que correram na Fórmula 1 é extenso. Porém, o genial trio de campeões Senna, Piquet e Fittipaldi naturalmente se sobressai. Por isso, apresentamos hoje o perfil de um desses brasileiros que não obtiveram tanto sucesso. Seja para divulgar seu papel na história nacional no esporte ou refrescar a memória dos fãs, o homenageado de hoje é Maurício Gugelmin.

A velocidade promissora da juventude

Maurício Gugelmin nasceu em Joinville, Santa Catarina, no dia 20 de abril de 1963. Mas foi no Paraná que começou sua carreira no kart, aos oito anos. Sem dúvidas teve um ínicio de carreira promissor, já que foi campeão brasileiro de kart em 1980. Já em 1981, foi campeão da Fórmula Fiat. No ano seguinte, tomou a decisão inevitável para qualquer piloto daquela época. Se mudou para a Europa e começou sendo campeão da Formula Ford 1660 Britânica. Anotou uma impressionante marca de 13 vitórias e 11 poles.

Gugelmin no Kart. (Fonte:terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/mauricio-gugelmin-4501)

Nos anos seguintes, Gugelmin trilhou um promissor caminho pelas categorias de base. Em 83, vice campeão da Formula Ford 2000. Além disso, conquistou o título da Formula Ford europeia em 84. Em 1985, Maurício finalmente chegou à Formula 3 inglesa e também foi campeão, com destaque para sua vitória no ilustre GP de Macau. Nos dois anos seguintes chegou em segundo lugar (86) e em quarto (87) na Formula 3000 internacional. Nesse período, o brasileiro foi considerado para guiar para a equipe Lotus de F1, por intermédio do amigo de longa data Ayrton Senna. Fato é que a chegada à Fórmula 1 se deu somente em 1988, quando Maurício assinou com a March-Judd.

Maurício (carro 54) na Formula Ford 2000. (Fonte:terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/mauricio-gugelmin-4501)

A estreia pela March

Em 1988, ano do primeiro título do amigo “Beco”, Maurício marcou um total de cinco pontos no campeonato. Decerto sua melhor performance em pontos na categoria, além do 13º lugar ao final do ano. Os números foram alcançados com um quarto lugar em Silverstone e um quinto em Hungaroring. Uma vez que permaneceu na mesma equipe para 1989, seu ano não foi tão bom, com exceção de uma corrida muito especial para Gugelmin. Se trata do GP do Brasil daquele ano, em Jagarepaguá, no qual conseguiu seu único pódio.

O brasileiro foi muito celebrado, uma vez que não era qualquer pódio: estava acompanhado de Nigel Mansell e Alain Prost. A torcida local torceu efusivamente por ele, sem o brilho de seus compatriotas. Sobre a antiga pista da F1 no Brasil, Gugelmin lembra:  “Fiz lá minha estreia na Fórmula 1, em 1988, mas não andei nem cem metros naquela corrida. Já no ano seguinte, a coisa foi diferente. O Ayrton Senna e o Nelson Piquet tiveram problemas e, de repente, virei o ‘salvador da pátria’. Passava na reta e sentia o pessoal na arquibancada mexer, vibrar… É uma experiência que até hoje eu não esqueço.”

A March-Judd de Gugelmin, em 1988. (Fonte:terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/mauricio-gugelmin-4501)

Outro momento importante da carreira de nosso perfilado também aconteceu em 1989. No GP da França, o piloto da March sofreu um acidente assustador, quando voou sobre os carros de Mansell e Thierry Boutsen na largada, capotando o carro. Quase todos os pilotos se envolveram no acidente e a prova foi suspensa. Surpreendetemente, Maurício saiu ileso do ocorrido e conseguiu se instalar no carro reserva para a relargada. Ele acabou chegando em 14º, mas marcou a melhor volta na prova.

O impressionante acidente de 89 em Paul Ricard. (Reprodução globoesporte.com)

Mais tímidos três anos

No ano de 1990, a March mudou de nome para Leython House, o principal patrocinador da equipe. O único ponto marcado por Gugelmin naquele ano veio com um sexto lugar na Bélgica. Em 91, não anotou um ponto sequer no campeonato pela Leython House (que acabou voltando a ser chamar March). Em 1992, o brasileiro assinou com a Jordan, a equipe que revelara Michael Schumacher. Contudo, o timing da troca não foi muito bom, já que a Jordan havia trocado o poderoso motor Ford pelo problemático Yamaha. Similarmente ao ano anterior, ele não marcou nenhum ponto. Mesmo assim, o carro não deixava de ser um dos mais bonitos do grid.

Gugelmin a bordo do Jordan-Yamaha de 92. (Fonte: terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/mauricio-gugelmin-4501)

Em 1993, a curta carreira de Gugelmin na F1 chegava ao fim. Ele se mudou para os Estados Unidos a fim de correr na Fórmula Indy. Correu pela Chip Ganassi e conquistou uma vitória: o GP de Vancouver de 1997. Ele encerrou a carreira nas pistas em 2001.

Na Fórmula 1, Maurício Gugelmin largou em 79 GPs, conquistou um pódio e uma melhor volta. Bem como 10 pontos no total. Foi companheiro de Ivan Capelli, para quem perdeu a disputa interna duas vezes (88 e 90) e venceu uma (89). Também teve Karl Wendlinger e Stefano Modena como colegas de equipe. Em entrevista publicada pelo Globo Esporte em 2009, Gugelmin comentou sobre a categoria: “O período que passei na Fórmula 1 foi muito legal. Ainda havia grandes campeões na pista e mais desafios aos pilotos. Hoje a categoria está muito ‘plastificada’. Se por um lado sofisticou, por outro levou embora muito da era romântica. Hoje os caras guiam até com direção hidráulica. Daqui a pouco vai ter ar condicionado nos carros…”

Fontes de pesquisa:

globoesporte.com

formula1.markwessel.com

terceirotempo.bol.uol.com.br

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