Pilotos campeões: conheça a trajetória de Giuseppe Farina

Giuseppe Farina foi um piloto italiano, nascido em Turim, no dia 30 de outubro de 1906 e falecido em Aiguebelle, na França, em 30 de junho de 1966.

Farina foi o primeiro campeão mundial da Fórmula 1, na temporada de 1950.
Apelidado de “Nino”, Farina graduou-se em direito e é sobrinho de Giovanni Battista “Pinin” Farina, fundador da empresa Carrozzeria Pininfarina. Começou a dirigir um Temperino de dois cilindros, com apenas nove anos de idade. Também se destacou no esqui, futebol e atletismo. Farina interrompeu a carreira como oficial de cavalaria com o exército italiano para se dedicar a um esporte diferente: o automobilismo.

Carreira pré-Fórmula 1

Ainda na universidade, Farina comprou seu primeiro carro, um Alfa Romeo de segunda mão, e o dirigiu na Cronoscalata Valle d’Aosta-Gran San Bernardo, em 1925.  Enquanto tentava bater seu pai, sofreu um acidente, quebrando o ombro e cortes no rosto, estabelecendo uma tendência que continuou ao longo de sua carreira: a propensão a acidentes. Seu pai terminou em quarto.

Durante as temporadas de 1933 e 1934 Farina retornou ao esporte, competindo com carros da Maserati e da Alfa Romeo, por Gino Rovere e Scuderia Subalpina, onde começou uma amizade com a lenda italiana Tazio Nuvolari. No circuito de Modena, Nino, com sua Maserati, ultrapassou Tazio Nuvolari e essa vitória foi decisiva para sua carreira. Foi Nuvolari quem, até certo ponto, guiou o início da carreira de Farina, que se tornou seu segundo piloto. Em 1935, correu para a equipe de fábrica da Maserati, mostrando o suficiente para impressionar Enzo Ferrari, que o recrutou para pilotar para a Scuderia Ferrari, que na época competia com carros da Alfa Romeo. Foi em um Alfa Romeo 8C que ele terminou em segundo na Mille Miglia, depois de passar a noite sem luzes. Farina cometia muitos erros, mas continuava correndo e se tornou vencedor de Grandes Prêmios, quando venceu o Grande Prêmio de Nápoles, em 1937.

Carro de Farina após o acidente no Grand Prix de Deauville, em 1936

Embora tenha sido notado por seu estilo de condução e inteligência, ele tinha uma tendência petulante e desrespeito por seus pilotos concorrentes, enquanto na pista de corrida. Esteve envolvido em dois acidentes fatais. O primeiro foi durante o Grande Prêmio de Deauville de 1936, quando tentou passar Marcel Lehoux para segundo lugar. O Alfa Romeo 8C da Farina colidiu com o ERA de Lehoux, fazendo com que este capotasse e pegasse fogo. Lehoux foi jogado do cockpit, teve o crânio fraturado e morreu no hospital, enquanto Farina escapou com apenas ferimentos leves. Duas temporadas depois, durante o Grande Prêmio de Trípoli de 1938, o Maserati 4CM de László Hartmann cortou uma curva à frente de Farina.  Os carros colidiram e capotaram. Farina sobreviveu sem ferimentos graves, mas Hartmann morreu no dia seguinte.

Em 1939 a equipe oficial da Alfa Romeo, Alfa Corse, retornou ao esporte a motor e Farina era um dos pilotos. Pilotando o novo Alfa Romeo 158 Voiturette em 1939, venceu o Grand Prix d’Anvers, o Coppa Ciano e o Prix de Berne, tornando-se o campeão italiano pelo terceiro ano consecutivo.  No ano seguinte, venceu o GP de Trípoli e terminou em segundo na Mille Miglia pela terceira vez.

Após a Segunda Guerra Mundial, Farina retornou para a Alfa Corse para pilotar seus 158. Ele venceu o Grande Prêmio das Nações de 1946. No entanto, deixou a Alfa Corse após um desentendimento com a liderança da equipe e ficou de fora de toda a temporada de 1947. Voltou para o esporte em 1948 com um Maserati. Durante este período, também se casou com Elsa Giaretto. Em sua opinião, o esporte a motor era uma atividade tola e perigosa tentou persuadir Farina a parar. Três dias depois de seu casamento na alta sociedade, Farina voou para a Argentina, onde levou seu Maserati 8CL à vitória no Grande Prêmio Internacional do General San Martín.  Na sua volta para à Europa, venceu o Grande Prêmio das Nações e o Grande Prémio de Mônaco de 1948. Usando o primeiro carro da Ferrari em Grand Prix, o Ferrari 125, ele ganhou o Circuito di Garda. Conquistou uma vitória na Copa Acción San Lorenzo em fevereiro de 1949. No resto do ano, ele correu com a Maserati para Scuderia Milano e Scuderia Ambrosiana, e às vezes em seu próprio 4CLT/48. Venceu o Grande Prêmio de Lausanne e foi novamente para a Alfa Corse.

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Temporada de 1950

Giuseppe Farina no GP da Inglaterra de 1950

Farina recebendo a bandeirada da vitória na primeira corrida da F1, em Silverstone

Quando a Federação Internacional do Automóvel (FIA) anunciou a temporada inaugural do campeonato mundial de Fórmula 1, Farina voltou e compôs a avassaladora equipe da Alfa Romeo, ao lado de Juan Manuel Fangio, Reg Parnell e Luigi Fagioli, que a bordo do modelo Alfetta 158 dominou a temporada de 1950 com seis vitórias em sete corridas, três com Farina e outras três com Fangio.

A primeira corrida da temporada foi realizada em Silverstone, diante de 150.000 espectadores. Farina venceu, com seus companheiros de equipe Luigi Fagioli e Reg Parnell completando o 1-2-3 da Alfa Romeo. Em Mônaco, apenas oito dias depois, um múltiplo acidente na primeira volta fez Farina abandonar e Juan Manuel Fangio ganhou. No Grande Prêmio da Suíça de 1950, Farina derrotou seu companheiro de equipe Fagioli. A próxima corrida, no Circuito de Spa-Francorchamps, viu Fangio derrotar Fagioli, com Farina terminando em quarto com problemas de transmissão. Nesta etapa, Farina ainda liderava o campeonato: Farina 22; Fagioli 18; Fangio 17. Quando Fangio venceu o Grande Prêmio da França de 1950, Farina terminou fora dos pontos, em sétimo.

Grid de largada do GP da Itália de 1950

Guiseppe Farina no GP da Itália de 1950

No final da temporada, em 3 de setembro, o Grande Prêmio da Itália de 1950, Farina estava dois pontos atrás de seu companheiro de equipe. Para a Alfa Romeo, Monza era sua etapa caseira e por isso eles colocaram mais um carro, para Piero Taruffi e Consalvo Sanesi. Foi a Ferrari de Alberto Ascari que pressionou os Alfas durante as primeiras voltas da corrida, ficando em segundo lugar, sabendo que seu carro só precisava de uma parada de combustível para duas dos Alfas, mas sua eventual vantagem foi temporária acabou quando seu carro  começou a soltar uma nuvem de fumaça.  Logo depois, a caixa de embreagem de Fangio falhou e Taruffi entregou seu carro, só para ele correr mais umas voltas e um problema de válvula forçar seu abandono definitivo. Com a sua vitória em Monza, Farina conquistou o campeonato e entrou para a história como o primeiro campeão da nova categoria.

Temporada de 1951

Ele continuou com a Alfa Romeo para a temporada de 1951, mas teve que dar o melhor para Fangio, que garantiu o título para a marca milanesa. Quanto a Farina, terminou a temporada em quarto lugar, com sua única vitória no campeonato mundial no Grande Prêmio da Bélgica de 1951 no Spa-Francorchamps.

Temporada de 1952

Giuseppe Farina com sua Ferrari em 1952

Farina voltou para a Scuderia Ferrari em 1952, quando as corridas de Grand Prix mudaram para a especificação da Fórmula 2, mas teve que ficar como segundo piloto para o líder do time, Ascari. Ganhou as provas extra-campeonato Gran Premio di Napoli e Monza Grand Prix. O domínio total de Ascari no campeonato, que venceu 6 provas seguidas, foi um duro golpe para a auto-imagem de Farina.

Temporada de 1953
Farina permaneceu na Ferrari para a temporada de 1953. Ele se envolveu em um grande acidente na primeira corrida da temporada, o Grande Prêmio da Argentina. O presidente Juan Perón permitiu o livre acesso à corrida para todos. Isso significava que os pilotos tinham que correr com as laterais cheias de espectadores ao longo do circuito, e um menino correu pela pista enquanto Farina estava em um trecho veloz, a Curva Nor Este. Farina foi forçado a desviar em direção dos espectadores em pé na saída da curva, matando sete e ferindo muitos outros.
O melhor resultado de Farina na temporada foi a vitória no Grande Prêmio da Alemanha de 1953. Outras vitórias fora do Campeonato de Fórmula 1 ocorreram no Grande Prêmio de Nápoles e no Grande Prêmio de Rouen-les-Essarts. A esta altura, havia aceitado que Ascari e Fangio eram pilotos mais rápidos que ele, e Farina finalmente parecia ter aproveitado sua experiência em uma abordagem menos agressiva. Isso resultou em uma sequência de pódios, conquistando o terceiro lugar no Campeonato Mundial. Este ano viu a introdução do World Sportscar Championship, e como parte do esquadrão de pilotos da Scuderia Ferrari, Farina estava na equipe, vencendo duas vezes. A primeira veio nas 24 Horas de Spa-Francorchamps, quando ele e Hawthorn tiveram uma vantagem de 18 voltas, o que representou uma vantagem de cerca de 90 minutos. A segunda vitória veio na próxima corrida, os 1000 km de Nürburgring, desta vez com a parceria de Ascari, com uma margem menor, de pouco menos de 15 minutos e meio. Também triunfou na corrida Daily Express Trophy em Silverstone em outra corrida única no Thinwall Special.

Temporada de 1954

Apesar de ter já 47 anos, surgiu uma oportunidade de ouro na Ferrari quando Ascari deixou a equipe, deixando Farina como líder da equipe. Após os resultados do início da temporada, incluindo vitórias na corrida de carros esportivos nos 1000 km de Buenos Aires, em parceria com o jovem italiano Umberto Maglioli e no Syracuse Grand Prix, ele bateu fortemente na Mille Miglia enquanto liderava sua Ferrari 375 Plus. Apenas sete semanas depois, e com o braço direito ainda engessado, correu no Grande Prêmio da Bélgica de 1954.  Ele estava liderando antes do final da primeira volta, até que a ignição falhou em sua Ferrari. Mais tarde na temporada, ele ficou gravemente ferido no Supercortemaggiore Grand Prix, uma corrida de carros esportivos em Monza, em consequência passou 20 dias no hospital.

Temporada de 1955

Farina estava de volta com a Ferrari para o início da temporada de 1955 na Argentina, tomando injeções de morfina para aliviar a dor. Mas o calor afetou todos os pilotos. Farina fez um pit devido ao cansaço, com sua Ferrari 625 sendo substituída pelo seu companheiro de equipe, Maglioli. Quando José Froilán González parou, Farina voltou em seu lugar. Mais tarde, González, que estava de volta em seu carro, mas parou e devolveu o carro para Farina, que conquistou o segundo lugar. O terceiro lugar no Grande Prêmio da Argentina de 1955 foi para o carro original de Farina, que havia sido dirigido por Maglioli e Maurice Trintignant. Depois de um terceiro lugar na Bélgica, Farina se aposentou no meio da temporada, devido à dor que ainda continuava e à morte de Ascari. Ele retornou para o Grande Prêmio da Itália de 1955, com um Lancia D50 da Scuderia Ferrari, que sofreu um furo no pneu a 170 mph durante uma sessão livre. O carro capotou, mas Farina saiu ileso. A Ferrari retirou o carro da corrida, e Farina não começou seu último Grand Prix.

Temporada de 1956
Farina se inscreveu para a disputa da Indianapolis 500 de 1956, com um motor Ferrari de seis cilindros instalado em um chassi Kurtis Kraft.  O carro, patrocinado pela Bardahl, foi inscrito como um Bardahl-Ferrari. A qualificação para a corrida foi marcada para quatro dias durante o mês de maio.  O segundo fim de semana caiu uma chuva forte que cancelou o terceiro dia e deixou apenas um pequeno período de tempo para os pilotos conseguirem se qualificar. Isso significava que alguns pilotos não tiveram a chance de se classificar no quarto dia. Farina era uma deles e o projeto foi considerado um fracasso.

Temporada de 1957

Farina optou por pilotar um carro convencional da Indy em 1957, mas teve dificuldade para acelerar o carro e passou por alguns problemas de dirigibilidade. Seu companheiro de equipe, Keith Andrews, entrou no carro para fazer um teste, mas bateu e o carro entrou na parede interna, sendo Andrews esmagado até a morte entre o capô e o tanque de combustível. Farina se retirou da competição e nunca mais retornou.

Após sua aposentadoria, Farina se envolveu nas distribuições da Alfa Romeo e da Jaguar e depois ajudou na fábrica da Pininfarina.

Morte
A caminho do Grande Prêmio da França de 1966, Farina perdeu o controle de sua Lotus Cortina nos Alpes da Savóia, perto de Aiguebelle, atingiu um poste telegráfico e foi morto instantaneamente. Ele estava a caminho de assistir a corrida e participar das filmagens do filme Grand Prix como conselheiro e piloto do ator francês Yves Montand, que representou um ex-campeão mundial.

 

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