Toleman-Hart – o primeiro carro de Ayrton Senna na Fórmula 1


Senna em sua lendária corrida em Mônaco 1984

Witney é uma cidadezinha inglesa com menos de 30 mil habitantes, que fica a 20 quilômetros de Oxford e 110 quilômetros de Londres. Um berço pouco provável para uma equipe de Fórmula 1. Não fosse sua fama na produção de edredons, desde a Idade Média, ela seria totalmente desconhecida. Mas quis o destino que Witney entrasse no mapa pelas mãos do automobilismo, com a Toleman, descobrindo o talento nascente de ninguém menos que Ayrton Senna.

Oriunda da antiga Fórmula 2, onde conquistara o campeonato e o vice-campeonato de 1980, com a dupla formada por Brian Henton e Derek Warwick, a Toleman ingressou na Fórmula 1 em 1981, encorajada pelo título na Fórmula 2.

Em um ano de estreia catastrófico, a escuderia britânica só conseguiu passar da pré-qualificação em duas das 15 etapas daquela temporada. Henton largou em 23º, em Monza, e conquistou um honroso décimo lugar, no GP da Itália, enquanto Warwick, que só conseguiu um lugar no grid na última etapa do campeonato, nos Estados Unidos, abandou na 43ª volta do Grande Prêmio do Caesars Palace – mesmo GP que marcou o primeiro título de Nelson Piquet na F1.

Vista aérea do monoposto

Em 1982, o italiano Teo Fabi substituiu Henton, mas o time não teve melhor sorte e, das 16 provas daquele ano, a Toleman só conseguiu terminar em duas ocasiões – novamente, um 10º lugar de Warwick, em Hockenheim, foi o resultado mais alentador da equipe britânica. Em 83, as coisas melhoraram e, com Bruno Giacomelli no lugar de Fabi, os ventos começaram a soprar a favor da Toleman. Warwick terminou na zona de pontuação nas quatro últimas corridas daquele ano e até mesmo o estreante Giacomelli conseguiu um sexto lugar, em Brands Hatch, chegando imediatamente atrás de seu companheiro.

O time fundado por Ted Toleman (que acumulara experiência com barcos de corrida, na off-shore powerboat) e Alex Hawkridge dava os primeiros passos em direção à celebridade, mas ainda faltava algo para a equipe garantir um lugar no panteão da glória da F1, ao lado de Ferrari, McLaren, Williams, Lotus, Mercedes, Brabham, Renault, Tyrrell, BRM, Alfa Romeo, Maserati e Ligier, entre outras. Entre 1981 e 1983, o time colecionara 33 eliminações na pré-qualificação e 32 abandonos, com sua dupla de pilotos terminando apenas 15 corridas.

Mas tudo mudou em 84, quando a Toleman apostou todas as suas fichas numa nova estrela, que havia acabado de conquistar o título da F3 Inglesa: Ayrton Senna.

Junto com o brasileiro, a escuderia também trouxe o venezuelano Johnny Cecotto, campeão da F2, em 82, e campeão da motovelocidade, em 75. Senna obtivera 12 vitórias nas 20 etapas da F3 Inglesa, um ano antes, além de 15 pole positions.

A estreia de Senna, no Brasil, foi frustrante: o brasileiro foi o primeiro a abandonar, com apenas oito voltas.

“É o início de uma batalha. Hoje, aconteceu alguma coisa, porque o carro começou a vibrar bastante. Acho que o turbocompressor quebrou. Foi de uma hora para a outra”, comentou o brasileiro ainda nos boxes do circuito de Jacarepaguá. Mas já na segunda etapa do campeonato, na África do Sul, ele conseguiu a melhor posição no grid da curta trajetória da equipe e, partindo da 13ª posição, terminou em sexto, marcando seu primeiro ponto na F1.

O esforço no calor sul-africano foi tão grande, que Senna desmaiou e foi hospitalizado.

“O carro estava impossível de guiar, mas não tinha o que fazer. Eu queria que a corrida acabasse antes da metade e, no final, me falaram que eu tinha ficado em sétimo, então fiquei decepcionado depois deste esforço todo, poxa. Mas, agora, não dá nem para rir”, declarou o piloto, imobilizado na cama do hospital.

Na etapa seguinte, na Bélgica, Senna repetiu a dose: largou em 19º e terminou novamente em sexto, duas posições à frente de Piquet, campeão do ano anterior, com seu Brabham-BMW. “Ele é o piloto mais espetacular que eu vi, na minha vida no automobilismo. No seu primeiro ano, na Fórmula Ford, ele venceu tudo. Venceu tudo, novamente, no segundo e terceiro anos. E nesta primeira temporada na F1, ele já fez coisas extraordinárias”, afirmou, na época, o chefe de equipe da Toleman e ex-piloto de F1, Peter Gethin. “Nós não temos a mesma potência das grandes equipes. Por isso, ele é excepcional. Temos o melhor piloto da F1”, concluiu o patrão.

Depois de dois péssimos resultados nos GPs de San Marino e da França, a Toleman viveria seu dia de glória em Mônaco. Nas ruas de Monte Carlo, debaixo de muita chuva, Senna fez uma corrida épica, saltando do 13º lugar no grid para o pódio. A prova foi interrompida com apenas 31 das 76 voltas previstas, e o brasileiro terminou em segundo, atrás de Alain Prost. A interrupção aconteceu no momento em que Senna (dono da melhor volta da corrida) se aproximava rapidamente do francês, e pouco depois de ele ter passado, de passagem, por Nikki Lauda, companheiro de Prost na McLaren-TAG – Lauda conquistaria seu terceiro título mundial, no final do ano, com apenas 0,5 ponto de vantagem sobre o francês.

No Canadá, o brasileiro por pouco não abocanhou mais um pontinho, terminando em sétimo, e depois de abandonar nos dois GPs norte-americanos, em Detroit e Dallas, Senna voltou a brilhar em Brands Hatch, pulando da sétima posição no grid para mais um pódio. O terceiro lugar foi conquistado de forma extraordinária, já que o brasileiro caiu para a nona posição, logo na largada, e veio se recuperando – a prova chegou a ser interrompida e, na relargada, ele caiu novamente para nono. “A maior emoção, nesta prova, não foi subir no pódio, mas cruzar a linha de chegada e ver os mecânicos da Toleman festejando o terceiro lugar, pulando na pista”, disse o brasileiro.

Com Cecotto afastado por causa de um acidente em que quebrou as duas pernas, a Toleman teve apenas um carro nas três etapas seguintes, na Alemanha, Áustria e Holanda. Apesar de se classificar bem nos treinos, Senna abandonou em todas elas, ficando de fora do GP da Itália, suspenso pela equipe por ter assinado contrato com a Lotus, para 85, “debaixo dos panos”.

Na última etapa da temporada de 1984, Senna não só conquistou a melhor posição no grid de um Toleman em toda sua história, largando em terceiro na segunda fila, como subiu novamente no pódio, ao lado de Prost e Lauda, colocando a modestíssima equipe de Witney ao lado da colossal McLaren. As performances do brasileiro garantiram o sétimo lugar na tabela dos construtores para o time britânico, que ficou à frente de Alfa Romeo e Ligier, naquele ano. “Com certeza, ele será campeão do mundo”, profetizou, na época, o ex-chefão da F1, Bernnie Eclestone. “Ele provou que é um dos melhores pilotos da F1 e o importante, agora, é não se afobar. Aprender bastante e estar pronto na hora certa”, complementou o tricampeão Niki Lauda.

O cockpit

Com a saída de Senna, a Toleman nunca mais conseguiu um bom resultado sequer. Em 85, na despedida da equipe da F1, Teo Fabi completou apenas duas provas. Em maio, a escuderia foi vendida para a Benetton, que conquistaria sua primeira vitória um ano e meio depois, na penúltima etapa de 86, com o austríaco Gerard Berger – o mesmo Berger com quem o brasileiro faria dupla na McLaren, entre 1990 e 92. A rápida trajetória do time inglês é contada em detalhes no livro “The Toleman Story: The Last Romantics in Formula 1”, de Christopher Hilton. Dos 26 pontos anotados pela equipe, em cinco anos, o brasileiro marcou 13, a levando ao pódio em três ocasiões. Mesmo sem ganhar uma única corrida, os “últimos românticos da F1” entraram para a história, ao lado dos maiores campeões da categoria e, muito disso, pelas mãos de Senna!

Durante a temporada de 1984, Ayrton dirigiu seu ano de estréia com dois carros diferentes da Toleman. O TG183 mostrou potencial em 1983 ao terminar seus últimos quatro Grandes Prêmios nos pontos. Derek Warwick marcou o melhor resultado da fColemanman com um quarto lugar no Zandvoort. Warwick repetiu este truque no Grande Prémio da África do Sul em Kyalami.

No início da temporada de 1984, Toleman usou este TG183. O carro de 1984 foi um desenvolvimento adicional e, portanto, foi chamado de TG183B. Este carro foi projetado pelo sul-africano Rory Byrne.

O primeiro carro fez sua estréia em 1982 e foi dirigido por Derek Warwick. O destaque deste carro foi a asa traseira dupla que foi usada. Esta asa traseira dupla só foi introduzida no carro em 1983, o TG183 que conduziu as últimas duas corridas da temporada de 1982 com uma asa traseira ‘normal’.

O TG183B acumulou 12 pontos. Ayrton terminou em sexto no Grande Prémio da África do Sul e Belga de 1984. No total, apenas três especificações do Toleman TG183B foram construídas. O chassi TG183-02 foi usado por Derek Warwick em 1983. O mesmo chassi foi usado por Ayrton Senna durante as primeiras quatro corridas da temporada de 1984.

Dados técnicos do TG183:

Chassi: monocoque em fibra de carbono com motor semiestressado

Suspensão dianteira: duplo bisturi, molas helicoidais acionadas por

alavanca sobre os vapores

Suspensão traseira: bisturis duplos, molas helicoidais accionadas por impulso sobre os vapores

Direção: cremalheira e cremalheira

Freios: ventilados internamente e transversalmente discos -drilled, all-round

Caixa de câmbio: Hewland FGB de 5 velocidades manual

drive: movimentação de roda traseira

Peso: 540 quilos

Distância entre eixos: 2,692 mm (106 in) / 1,848 mm (72,8 in) / 1,683 mm (66,3 in)

Motor:

Configuração: Hart 415T Straight 4

Localização: Meio, montado longitudinalmente

Peso: 136 quilos

Construção: bloco e cabeça de alumínio

Deslocamento: 1.459 cc

Compressão: 7.1: 1

Válvulas: 4 válvulas/cilindro DOHC

Árvore de cames: acionada por correia

Alimentação de combustível: Lucas Fuel Injection

Garrett Turbo

Potência: 580 cv a 9.500 rpm

Torque: 385 Nm a 7.500 rpm

Na temporada de 1985, a equipe foi comprada pelo grupo italiano Benetton e passou a utilizar este nome até ser adquirida pela Renault em 2002.

Em 2010 a equipe foi adquirida pelo Grupo de investimentos Genii Capital, que manteve o nome Renault no time até o final de 2011. Durante o ano de 2011 o Grupo Lotus adquiriu parte da equipe e sendo assim, em 2012, a antiga equipe Renault F1 passou a se chamar Lotus F1 Team.

Foi fundada por Ted Toleman, e pela equipe passou o projetista Rory Byrne.

O TG183/TG183B é o modelo da Toleman das temporadas: 1982, 1983 e 1984. O TG183 foi utilizado nas duas últimas provas da temporada de 1982 e o TG183B na temporada completa de 1983 e utilizado também da primeira até a quarta prova da temporada de 1984 de Fórmula 1. Condutores: Derek Warwick, Bruno Giacomelli, Ayrton Senna e Johnny Cecotto. No GP da Holanda de 1983, Warwick chegou em 4º lugar e marcou seus primeiros 3 pontos na carreira e também para o time e no GP da África do Sul de 1984 que Senna marcou seu primeiro ponto ao terminá-la em 6º lugar.

Em 9 de novembro de 1983, com o chassi TG183B, motor Hart L4 turbo, Ayrton Senna pilotou pela primeira vez um carro com motor turbo no circuto de Silverstone. Senna pilotou no período da manhã com o tempo de 1min 12seg 40 e na tarde, baixou o tempo quando fez 1min 11seg 50, tempo melhor do que o de Derek Warwick com 1min 12seg 52 na classificação do GP da Grã-Bretanha em julho daquela temporada (1983). Entretanto esse tempo feito por Warwick, foi feito com pneus de classificação e com pressão no turbo em 30º graus, enquanto que Senna jamais usou acima de 26º graus e usou pneus normais de competição.

Assim que Senna parou o carro nos boxes após os testes, o entusiasmo da escuderia foi geral, pois Warwick, que pilotou esse carro, jamais conseguiu fazer os tempos de Ayrton naquela quarta-feira em Silverstone.

Na sexta-feira, 9 de dezembro de 1983, Londres, Inglaterra, Ayrton Senna assinou contrato com a Toleman para a temporada de 1984. A opção por essa escuderia, deveu-se à amizade do piloto brasileiro com Alex Hawkridge, chefe da equipe e diretor do grupo, que acompanha sua carreira desde os primeiros dias na Europa. Outro fator que prevaleceu na escolha de Senna está ligado no “nacionalismo” de alguns patrocinadores, que exigem sempre um piloto de seu país para correr nos carros que levam suas marcas.

Cronologia do TG183/TG183B

1982 – TG183 : Derek Warwick nas últimas duas provas da temporada: Itália e Las Vegas.

1983 – TG183B : Derek Warwick e Bruno Giacomelli.

1984 – TG183B : Ayrton Senna e Johnny Cecotto até a quarta etapa, o GP de San Marino.

O TG183B

O Toleman TG184 foi um carro de Fórmula 1 projetado por Rory Byrne e Pat Symonds e foi usado pela Toleman Motorsport durante a maioria das corridas da temporada de 1984 de Fórmula 1. A primeira corrida foi no Grande Prêmio da França em Dijon. Tal como o seu antecessor, o TG183B, o TG184 foi alimentado pelo 4 cilindros turbo Hart 415T, motor que produzia aproximadamente 600 cv (447 kW; 608 PS).

O potencial do carro ficou evidente logo no início, com um segundo lugar em apenas o seu segundo grande prêmio marcado pelo então novato piloto Ayrton Senna na chuva que ocorreu no Grande Prêmio de Mônaco. Senna, que começou em 13º, pilotou com precisão até que chegou e ultrapassou o líder da corrida, Alain Prost ( McLaren-TAG ), pouco antes da linha de largada/chegada na volta 32 quando Jacky Ickx. mostrou a bandeira vermelha para parar a corrida devido a condições adversas. No entanto, as regras estabeleciam que as posições consideradas deviam as de antes de a bandeira ser mostrada. Isso fez com que Prost vencesse e Senna terminasse em segundo lugar com apenas metade dos pontos dados devido à corrida não passar dos 50% da distância programada. Foi amplamente percebido que Ickx havia negado a Senna, à Toleman e seu fornecedor de motores Hart seu primeiro GP, embora a equipe posteriormente tenha revelado que o TG184 de Senna havia sofrido um dano na suspensão que eles estimaram teria durado mais 3 ou 4 voltas.

Subjacente ao seu futuro como Campeão do Mundo, mais pódios vieram para Senna durante a temporada de 1984, com a 3ª colocação no Grande Prêmio da Inglaterra e no Grande Prêmio de Portugal, onde Senna também se classificou em 3º na qualificação, a mais alta do carro. O pódio em Mônaco foi o primeiro para o que hoje é a Renault Sport F1.

Outros que dirigiram o TG184 durante 1984 foram o ex-campeão mundial de FIM 350cc e de Fórmula 750, Johnny Cecotto, da Venezuela, e os pilotos de F1 Stefan Johansson, da Suécia, e Pierluigi Martini, da Itália. Infelizmente para Cecotto, o TG184 foi seu último piloto de F1 depois de ter quebrado os dois tornozelos nos treinos para o Grande Prêmio da Inglaterra em Brands Hatch. Ele se recuperou de seus ferimentos, mas nunca mais correu na Fórmula 1, em vez disso seguiu para uma carreira de sucesso como piloto de carros de turismo.

O TG184 foi substituído em 1985 pelo TG185.

O Toleman TG184, é muito mais do que uma evolução do TG183, que dera no ano anterior, os seus primeiros pontos à equipe. Este foi o carro que deu à marca os melhores resultados da sua história.

Projetado pelo sul-africano Rory Bryne, o TG 184 tinha incorporado, logo de inicio, duas asas independentes uma da outra, para poder ajudar a criar mais efeito-solo na traseira do carro, para poder segurar a parte traseira nas curvas. Com um motor Hart Turbo de quatro cilindros em linha, com uma potência anunciada de 780 cavalos às 10.500 rotações, o Toleman tinha as condições para ser um carro capaz de ficar no meio do pelotão, e talvez, provocar uma surpresa ou outra, pois tinham uma das melhores promessas da Formula 1.

Quando anunciaram a contratação de Ayrton Senna, o brasileiro recente campeão da Formula 3 britânica, sabia-se que estava perante um talento, e que a equipe poderia servir de rampa de lançamento para uma carreira que poderia levar a títulos mundiais. Pouco depois, a equipe escolheu como parceiro, o venezuelano Johnny Cecotto, campeão de motos, e que tinha passado para as quatro rodas, tendo sido piloto da Theodore no ano anterior.

Nos três primeiros Grandes Prêmios, a equipe ainda usou o TG183B, pois o novo carro tinha que ser desenvolvido, para não frustar as expectativas existentes. Mesmo com o carro antigo, Senna conseguiu levar o carro aos pontos por duas vezes, com dois sextos lugares, na África do Sul e na Bélgica, mas também teve a sua primeira (e única) não-qualificação da sua carreira, em San Marino.

O design do TG184

O TG184 estreou-se no GP da França, para Senna, pois o venezuelano Ceccoto só o usaria na corrida seguinte, em Mônaco. Conseguiu o 13º tempo nos treinos, mas não levou o carro ao fim, pois abandonou na volta 35, quando o turbo cedeu. Na corrida seguinte, em Mônaco, o piloto brasileiro aproveitou-se das más condições atmosféricas para fazer uma corrida memorável e chegar na segunda posição, dando a ele e à marca, o seu primeiro pódio.

Senna eventualmente conseguiria mais dois pódios, em Brands Hatch e no Estoril, a última prova do campeonato, que foi ganho pelo austríaco Niki Lauda por apenas… meio ponto. Mas antes, na pista britânica de Brands Hatch, palco do GP da Inglaterra, Johnny Ceccoto teve um acidente grave nos treinos, fraturando ambas as pernas, acabando em consequência, a sua carreira na Formula 1. Sem substituto por algumas provas, Senna leva a equipe nas costas, enquanto que o seu desempenho em treinos e corrida, o levam a ser cobiçado pelas principais equipes do pelotão.

Após o GP da Holanda, Senna assinou um contrato com a Lotus, sem o conhecimento de Alex Hawkridge, o patrão da Toleman, que decidiu, em represália, excluí-lo da corrida de Monza. A equipe, que finalmente, tinha arranjado um companheiro para Senna, o sueco Stefan Johansson, decidiu que ele ficaria com o carro dele, enquanto que no segundo carro, o lugar iria ser preenchido pelo piloto local, Pierluigi Martini. Contudo, ele não conseguiu adaptar-se à máquina e falhou na qualificação, enquanto que Stefan Johansson, com o carro acertado por Senna, conseguiu levar o carro para a quarta posição, e os seus primeiros pontos na carreira. Nas duas provas finais, em Nurbrurgring e no Estoril, a equipe arranjou dois carros para Senna e Johansson.

Foi o grande ano da Toleman, pois conseguira 16 pontos e o sétimo lugar na classificação de construtores. Mas também foi quase o último. A equipe tinha problemas com o fornecedor de pneus, pois tinha no inicio de 1984 rasgado o contrato com a Pirelli, e não queria correr com a Goodyear. Sendo assim, escolheram a Michelin. Contudo, no final da temporada, a marca francesa anunciou que  iria se retirar das pistas. Nessa altura, tinham contratado Johansson e o irlandês John Watson, mas sem fornecedores, a equipe não participou nas três primeiras provas de 1985, e decidiu liberar ambos os pilotos. Contudo, depois do GP de San Marino, a Spirit abandonou a Formula 1 e logo, ficaram com o contrato de pneus da equipe, que era… a Pirelli. Mas nesse ano, o carro era outro.

A Toleman nunca venceu na Fórmula 1, apesar de deixar uma marca nesta categoria, graças a Ayrton Senna.

Ayrton na pista

História

A equipe Toleman Motorsport foi fundada pelos irmãos Ted e Bob Toleman e correu em várias categorias de corridas de automóveis na década de 70. Em 1977, Toleman correu na Fórmula Ford 2000, e no ano seguinte, mudou-se para a categoria de Fórmula 2. A equipe fez a corrida de Rad Dougall em um BMW de março, e de sua primeira corrida, Dougall terminou no pódio, ele ocupou o terceiro lugar em Brands Hatch.

No ano seguinte, Toleman contratou outro piloto, Brian Henton, que trabalhara com Hart e Ralt-Hart. Henton teve duas vitórias em Mugello e Enna-Pergusa, enquanto Dougall venceu em Brands Hatch. No final da temporada, Henton terminou como vice-campeão da F2, apenas dois pontos atrás de Marc Surer. Em 1980, Rory Byrne projetou o primeiro monoposto da Toleman, o TG280, com o qual Brian Henton e Derek Warwick dominaram a temporada, Henton triunfou uma vez e Warwick duas vezes. No final, Brian Henton terminou campeão na frente de seu companheiro de equipe. E em novembro, Alex Hawkridge anunciou a entrada da Toleman na F1 em 1981.

Naquele ano, a Toleman chegou à categoria principal de automobilismo com o fabricante de motores Brian Hart, que nunca havia colocado os pés na F1, assim como a fabricante de pneus italiana, a Pirelli. Além disso, a primeira temporada seria difícil, Brian Henton e Derek Warwick sempre falhavam na  classificação, com exceção da Itália para Henton e Las Vegas para Warwick.

No ano seguinte, Teo Fabi substitui Brian Henton, e os pilotos tiveram que se contentar com uma versão melhorada do T181. Apesar da falta de desempenho na corrida, Derek Warwick ainda conseguiu a volta mais rápida na corrida holandesa. Em agosto, o carro T183 ficou pronto. É em 1983 que os primeiros resultados da Toleman chegarão. Derek Warwick começa a qualificar-se entre os dez primeiros no grid, mas a falta de confiabilidade atrasa os primeiros pontos da equipe que chega na Holanda, onde Warwick terminou fora do pódio e nas últimos 3 corridas, Warwick se classifica nos pontos 3 vezes e Giacomelli uma vez, para um total de 10 pontos.

Este grande sucesso ajuda a Toleman a atrair um jovem piloto muito talentoso com o nome de Ayrton Senna, ele seria secundado pelo venezuelano Johnny Cecotto. E já Ayrton mostrou grande talento em marcar seu primeiro ponto na África do Sul, apesar de um carro danificado. Depois de outro ponto na Bélgica, o piloto brasileiro foi notado durante a corrida em Mônaco, executado na chuva, onde ele fez um ótimo segundo lugar.

Na Grã-Bretanha, ele terminou em 3º. Em Monza, a equipe suspendeu Ayrton por assinar com a Lotus para 1985, enquanto ele ainda estava sob contrato. Ayrton voltou ao pódio no último evento da temporada. Na temporada seguinte, a Toleman lançou seu primeiro carro monocasco, o T185, com Teo Fabi e Stefan Johansson ao volante, mas problemas com pneus fizeram com que a equipe não corresse as três primeiras corridas do ano, Johansson correu para a Tyrrell, depois Ferrari. Apenas um carro ficou pronto em maio, quando a Benetton decide patrocinar a equipe, que conquistou sua primeira pole position na Alemanha graças à Fabi.

A história de Ayrton e Toleman começou em 1983 em um circuito úmido na Inglaterra. No circuito de Silverstone, Ayrton dirigiu o Toleman-Hart pela primeira vez, como piloto de testes.

Warwick ficou com a Toleman por três anos. Ele desenvolveu o time e conquistou nove pontos no campeonato de 1983 com o TG183B. No dia em que Senna testou o Toleman no final de sua campanha de Fórmula 3, ele admitiria que o carro era muito fácil de pilotar. A escolha de Ayrton para ir a Toleman foi possível em parte pela influência positiva que os construtores de motores de Brian Hart tinham sobre ele.

Ayrton também teve a oportunidade de se desenvolver na Toleman. Era uma equipe pequena, mas tinha acesso a recursos financeiros suficientes. O nono lugar no campeonato de construtores de 1983 garantiu que os custos de viagem e transporte para a próxima temporada fossem reembolsados. Com a Segafredo, a Toleman tinha um bom patrocinador em casa. Massimo Zanetti van Segafredo era um fã de esportes e viu a chegada de Senna como um presente. O italiano continuaria sendo um dos patrocinadores pessoais de Ayrton.

A equipe operava a partir de Witney, Oxfordshire. A Toleman foi fundada em 1926 como uma empresa que entregava modelos Ford a garagens. Com Rory Byrne, a equipe tinha um talento emergente no setor de design na década de 1980. O sul-africano desenvolveu o Toleman TG181 em 1981. No decorrer de sua carreira na Fórmula 1, Byrne ganhou cada vez mais prestígio no paddock. O TG183B, o carro com o qual Ayrton Senna começou sua carreira de Fórmula 1, era um carro projetado por Rory Byrne.

O carro foi introduzido em 1983 e consistia em um monocoque de fibra de carbono. O motor era o Hart 415T tinha 1.459cc a 89.0 cu. Hart construiu um Straight 4, turbo enquanto a caixa de câmbio veio de Hewland e teve 5 engrenagens. O TG183B era principalmente o carro com a grande ‘asa traseira dupla’. Este carro também tinha radiadores que estavam montados na asa dianteira. Infelizmente, a configuração da asa dianteira tornou a frente do carro quase incontrolável. Esta configuração seria substituída no decorrer da temporada por uma asa dianteira mais convencional.

Toleman era uma equipe em que o brasileiro se sentiria em casa. Ayrton se tornou o primeiro piloto da temporada de 1984, com Johnny Cecotto como companheiro de equipe. Cecotto já havia ganhado experiência na Fórmula 1. Ele marcou um ponto em seu segundo Grand Prix durante seu infeliz ano na Theodore. O venezuelano ficou em segundo lugar em 1982 no campeonato europeu de Fórmula 2.

Ayrton fez sua estréia na Fórmula 1 durante o Grande Prêmio do Brasil em 1984 no circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Ayrton qualificou-se em 17º, um lugar à frente do companheiro de equipe Cecotto. A diferença entre os dois pilotos da Toleman foi considerável, não menos que 1.775 segundo. Ayrton não terminou sua primeira corrida de Fórmula 1 em 25 de março de 1983. Ele largou na oitava volta com um turbo quebrado. O mesmo aconteceu com Cecotto, dez voltas depois.

Durante a segunda e terceira rodadas do campeonato o brasileiro mostrou que havia algum ritmo no Toleman. No circuito de Kyalami, na África do Sul (praticamente uma corrida caseira para Ted Toleman e Rory Byrne), o brasileiro saiu do 13º lugar na grelha em direção aos pontos. Ayrton terminou seu segundo Grande Prêmio nos pontos e marcou o sexto lugar. Este resultado foi repetido durante o Grande Prêmio da Bélgica de 1984, em Spa-Francorchamps. Apesar de ter sido mais lento na qualificação do que Cecotto (mais de meio segundo), o brasileiro levou o último ponto. Ayrton ficou à frente do piloto de fábrica da Renault, René Arnoux, em sua busca por este último ponto.

Devido a um problema com o fornecedor de pneus Pirelli, Ayrton não conseguiu qualificar-se para o Grande Prêmio de San Marino em Imola. Foi a primeira e única vez que o brasileiro não se classificou para uma corrida de Fórmula 1. Durante o próximo Grande Prêmio da França no circuito de Dyon, Ayrton qualificou-se como 13º. Infelizmente, ele teve seu segundo abandono da temporada no domingo, novamente devido a um turbo quebrado. Depois de cinco Grandes Prêmios, o brasileiro marcara dois pontos. Foi um excelente começo para a pequena equipe Toleman. O companheiro de equipe Cecotto não chegou ao final em nenhum Grand Prix.

Ayrton foi para Mônaco com confiança, apesar do fato de que ele iria correr lá pela primeira vez. A Toleman apresentou o TG184 durante o Grande Prêmio da França, a corrida que antecedeu Mônaco, um novo design envolvendo Rory Byrne e Pat Symonds. O carro ainda usava o motor 1.500 cc Straight 4 Hart.

“Este novo carro é realmente muito bom, muito competitivo e muito rápido. Ainda faltam algumas coisas, mas tenho certeza de que esse carro nos levará adiante”, disse Senna. “Eu tracei uma certa rota, tenho que subir a escada. Cada posição contará para mim.”

Ayrton foi positivo e esperava um bom resultado no circuito de rua. Bellof se qualificaria como o único Tyrrell para o Grand Prix. O alemão quase não participou da corrida, até 1986 apenas 20 pilotos apareceram na grelha para o evento principal. Hoje, claro, este também é o caso, a única diferença é que havia mais inscrições durante um Grande Prêmio de Fórmula 1.

O companheiro de equipe Martin Brundle caiu durante a qualificação e não teve permissão para largar pelo médico da Fórmula 1, o professor Sid Watkins. Alain Prost foi o mais rápido em seu McLaren-Tag. O francês foi um décimo mais rápido que Nigel Mansell. Ayrton qualificou-se em 13º com uma diferença de 2.348 segundos atrás de Prost. Stefan Bellof foi um décimo mais rápido que a Arrows-Ford de Marc Surer e, como resultado, começou a corrida a partir do 20º e último lugar da grelha.

O TG 184

Começo adiado

O início da corrida foi adiado por 45 minutos. Chuvas fortes fizeram o asfalto em Mônaco extremamente molhado. Niki Lauda pensou que isso poderia causar um problema no túnel, já que parte da pista estava seca. Houve problemas no circuito de Mônaco no passado. Em 1981, o início da corrida também foi adiado porque houve incêndio na cozinha do Loews Hotel. A cozinha deste hotel ainda está acima do túnel hoje. Lauda envolveu Bernie Ecclestone na discussão para molhar o asfalto no túnel.

De acordo com Lauda, ​​havia muito óleo na superfície da pista, que fora jogado pelos pilotos das corridas preliminares. Lauda explicou que, de manhã, durante o aquecimento, ele tivera problemas com a superfície escorregadia da pista. Como chefe da Associação de Construtores de Fórmula 1 (FOCA), Ecclestone decidiu responder ao chamado de Lauda. Um caminhão de bombeiros local entrou no túnel e pulverizou o asfalto com água.

A corrida

No início, Alain Prost assumiu a liderança na corrida. Ele foi seguido por Nigel Mansell e os dois Ferrari de Rene Arnoux e Michel Alboreto. Prost queimou a largada, isso não foi registrado pela comissão de prova, e nada aconteceu. Não seria a última vez que houve uma discussão porque Prost fez um falso começo em Mônaco. Durante a corrida de 1993, o francês foi punido.

Ambos os “ jovens canhões”, Senna e Bellof, tiveram uma largada de foguete. Senna passou do 13º lugar em uma volta para o oitavo lugar. Bellof, último iniciado, fez ainda melhor, ele chegou a 13º depois de uma volta. Após a quinta volta, Ayrton era o oitavo. Uma volta depois, ele alcançou Winkelhock. Bellof já havia chegado ao nono lugar. Na frente, Mansell reduziu a diferença para o líder Prost. Após o giro de Michele Alboreto, Ayrton era o sexto. “Senna mostra aqui que ele é um talento excepcional, todos os talentos vêm à tona na chuva”, disse o campeão mundial de 1976, James Hunt.

Na perseguição de Keke Rosberg, Ayrton freou na chicane. A chicane na saída do túnel em 1984 tinha uma configuração diferente de como é hoje. A chicane naquele ano era mais suave e mais rápida. Ayrton saltou sobre a zebra e ali danificou sua suspensão. “Apesar do fato de que não estou convencido de que ele possa vencer essa corrida, ele terá que ser cuidadoso, ele ainda tem pouca experiência”, disse Hunt.

A declaração de Hunt veio na décima volta da corrida. Mansell já havia assumido a liderança na 12ª volta. Ayrton estava 33.896 segundos atrás de Mansell naquela altura. Na próxima volta, Ayrton alcançou Rosberg. Ayrton bateu Arnoux e ficou em quarto, que ficara em terceiro quando Nigel Mansell atingiu a barreira do acidente durante a subida ao Casino. Ayrton começou a caçar Niki Lauda. Stefan Bellof subiu para o sexto lugar e ficou preso atrás de Rosberg. Na 16ª volta, James Hunt disse o seguinte: “Temos que ficar de olho em Senna e Bellof neste momento, eles estão mostrando uma grande velocidade.”

Na 19ª volta, Ayrton passou Niki Lauda na reta. “Sensacional” gritou Murray Walker pelo microfone. Ayrton começou a pressionar Alain Prost após a manobra de ultrapassagem em Lauda.

Na 23ª volta, Ayrton fez a volta mais rápida da corrida. Seu tempo de 1:54.674 foi mais de quatro décimos mais rápido do que Elio de Angelis, o piloto da Lotus levou 1: 55.085. Ao mesmo tempo, Niki Lauda saiu da corrida no Casino, levando Bellof para a quarta posição. Bellof então continuou e passou por Arnoux.

“Um grande impulso do alemão”, disse Walker. Hunt, que nunca fora realmente um fã de Arnoux, acrescentou: “O francês o tirou da pista com todos os riscos, mas estamos acostumados com as ações estúpidas e ridículas de Arnoux como essa há anos”.

Em três voltas, Ayrton reduziu a diferença para Prost em dez segundos. A lacuna era, depois que ele passou por Lauda, ​​cerca de meio minuto. No início da 27ª volta, eram apenas 21 segundos. “Estamos olhando para a introdução de um talento de primeira classe, Ayrton Senna”, disse Hunt. “A chuva está agora vindo do céu, mas Senna tem os mesmos pneus que os outros e apenas dirige mais rápido a três segundos por volta.”

O fato de Prost estar sob pressão foi notado na 30ª volta. Prost acenou para a comissão de prova para que eles encerrassem a corrida. Na mesma volta, Ayrton foi quatro segundos mais rápido. Prost, não era um fã dessas condições, tinha que fazer tudo o que estivesse em seu poder para manter o carro de Alboreto para trás. Ayrton alcançou Alboreto, mas ao mesmo tempo, Jacky Ickx decidiu mostrar a bandeira vermelha. “French Timing” (Sincronismo Francês), disse James Hunt. Prost parou na reta e Ayrton passou correndo. O resultado acabou valendo para a volta anterior. Ayrton terminou em segundo, Bellof em terceiro. “Senna tem todas as razões para ficar chateado com a decisão da comissão de prova”, disse Hunt.

Prost venceu a corrida e metade dos pontos foram atribuídos. Isso significou para o francês que ele poderia adicionar 4,5 pontos ao seu campeonato. Se a comissão de prova não tivesse mostrado a bandeira vermelha, estava claro que Senna teria passado, mas o dano de Senna o faria desistir. Prost na realidade estava em uma luta contra Bellof.

Mas a Tyrrell foi desqualificada na metade da temporada. Prost não teve nenhuma pressão em retrospectiva e com um certo segundo lugar ele se tornaria campeão mundial. A comissão de prova só deveria ter permitido que a corrida continuasse até 75% da distância. No final de 1984, Alain Prost ficou a 0,5 ponto do título mundial, um título mundial que foi perdido no começo da temporada em Monte Carlo.

Olhando para trás após a corrida e vendo o resultado significa que Ayrton foi meio minuto mais rápido que Prost durante a corrida, medimos isso a partir da décima volta. Bellof, por outro lado, estava a mais de um minuto de Prost no começo da décima volta. Ele finalmente chegou aos 21 segundos. O fato de que Bellof foi do último no pódio dá ao título desta peça um valor extra.

Senna em sua estreia na F1 em Jacarepaguá, com o TG183B

Quando Ayrton conquistou seu primeiro pódio, as opiniões sobre o rumo da corrida eram diferentes. Muitas pessoas pensaram depois que havia outra razão pela qual a corrida foi encerrada pelo diretor de corrida Jacky Ickx. Na época, havia um número típico de “teorias da conspiração” que começaram a ter uma vida própria.

Alain Prost, na 30ª volta, chamou a atenção da comissão de prova para o fato de ser impossível conduzir mais. A corrida foi finalmente encerrada no início da 33ª volta. O ex-piloto de Fórmula 1 da Ferrari e piloto ativo da Porsche no campeonato do Grupo C, Jacky Ickx, era o “Clerk of the Course” (diretor de corrida).

Ickx foi acusado de conflito de interesse depois da corrida. Estamos falando aqui enfaticamente sobre acusações de outras pessoas (mídia) contra Ickx. Por isso, coletamos todos os artigos de jornais da época para mostrar ao leitor o que aconteceu naquele dia, 3 de junho de 1984, de acordo com a mídia.

As acusações contra Jacky Ickx também vieram da FISA. A FISA, liderada por Jean-Marie Balestre, questionou o desempenho de Jacky Ickx como diretor da prova. De acordo com Ickx, Balestre disse: “Fez algumas declarações totalmente inaceitáveis ​​sobre o Grande Prêmio de Mônaco que considero imperdoáveis.”

A acusação de Balestre foi: “Jacky Ickx terminou a corrida de Mônaco mais cedo porque queria permitir que seu empregador (Porsche) vencesse a corrida com Alain Prost e TAG”. Uma declaração estranha de Balestre, mas que é compreensível. Claro, Balestre queria que seu amigo Alain Prost vencesse a corrida.

Não foi o caso que Balestre não apoiou esta decisão. Na verdade, Balestre estava 100% de acordo, mas como presidente da FISA, ele nunca poderia dizer publicamente. É por isso que Balestre criticou Ickx depois.

Ickx entrou com uma ação contra Jean Marie Balestre, o presidente da FISA. “Eu percebo que o piloto normalmente não entra com uma ação judicial contra um dirigente e certamente não contra a FISA, neste caso Jean-Marie Balestre. É também a primeira vez na história da Fórmula 1.”

“Eu nunca abri um processo contra ninguém. Balestre fez declarações inaceitáveis. Ele realmente insinuou várias vezes coisas sobre mim. Ele me questionou com suas declarações. Minha reputação sempre permaneceu intacta. Eu não vou tolerar ninguém dizendo que minhas razões eram outra coisa senão em nome do esporte, enquanto eu estava fazendo o meu dever “.

Mais tarde Ickx foi perguntado se ele deliberadamente parou o Grand Prix porque ele preferia um motor Porsche (TAG). Ickx disse: “É insinuante que eu tenha obedecido às instruções de uma pessoa em particular. Agradeço a um presidente da FISA (Balestre) por ter dito algo assim. Foi ele quem me fez diretor de corrida do Grande Prêmio de Mônaco. Naquele momento ele não viu nenhum problema em me nomear.”

“Ele me deu a licença para trabalhar como diretor de corrida. Na época informei a Balestre por carta que eu iria para Mônaco assim que Yvan Leon, o secretário da FISA, me concedesse a licença para ser um diretor de prova. Se ele pensou que eu não poderia ter sido um piloto, comentarista de TV e diretor de corrida ao mesmo tempo, ele deveria ter dito antes. De qualquer forma, eu estou indo para o tribunal para me defender. Eu me lamento ter que fazer isso. É normal você se deparar com críticas em sua vida, mas há limites para o que você pode fazer ou dizer. Para Balestre, é apenas outro processo judicial. Ele tem que contratar um advogado em tempo integral”, Ickx foi muito claro em sua declaração.

O belga tinha 100% de certeza de ter tomado a decisão certa: “Primeiro, as bandeiras vermelhas e pretas foram mostradas simultaneamente em todos os pontos de bandeira do circuito. Isso indicava que os pilotos tinham que retornar lentamente aos boxes. Até agora. Como eu sabia que as condições do tempo não melhorariam naquela tarde.”

“Então eu não tinha intenção de reiniciar a corrida. Eu pensei que era uma boa oportunidade para avisar a todos que a corrida estava parada, soltando a bandeira quadriculada em preto e branco cerca de meio minuto depois que as bandeiras vermelhas e pretas foram mostradas juntas. Claro, você pode questionar os detalhes do procedimento, mas minha opinião é que a segurança dos pilotos é sempre primordial.

A capacidade de negar a Senna uma vitória não influenciou minha decisão. Não importava para mim quem venceria, se era Prost ou Senna, isso não importava para mim. Abortei a corrida pela segurança dos pilotos Tenho a impressão de que a imprensa teria preferido Senna por ter vencido a bandeira duas voltas mais tarde, nunca teria havido uma discussão e todos teriam ficado felizes.

Esta decisão foi em última análise, a favor de Prost, esta é a maneira que aconteceu, eu não estava ciente de que iria sair dessa maneira. Eu não vi sinais de Prost durante a corrida também. O controle de corrida olhou para a piscina, de longe. Acredito que os sinais que ele deu foram para a sua própria equipe, mesmo que eu tenha visto esses sinais, eles não teriam influenciado minha decisão, não tem nada a ver com o assunto.”

A Ickx acabou recebendo um pagamento de US$ 6.000 por seu desempenho como diretor de prova. Nenhuma evidência de conflitos de interesse foi encontrada. Ickx, um homem muito apreciado no mundo da Fórmula 1, não sofreu muitos danos à sua imagem no final.

Detalhes salientes: Se a corrida tivesse alcançado 75% e Prost tivesse deixado Senna passar, Prost poderia ter adicionado 6 pontos e não os 4.5 pontos que recebeu pela corrida cancelada. Com isso, Prost teria sido campeão mundial em 1984.

O motor Hart

Ayrton só terminaria em três corridas durante a temporada. No Grande Prêmio do Canadá, no circuito Gilles Villeneuve, terminou em sétimo. Os dois Grands Prix seguintes não foram tão bem sucedidos. Durante o Grande Prêmio de Dallas, Ayrton começou em sexto. Ele assumiu a quarta posição no início, mas girou na primeira volta e teve contato com o muro. Eventualmente, ele poderia sair com um eixo quebrado. Anos depois Pat Symonds deu uma entrevista sobre seu “momento Senna”.

Pat Symonds

“Dallas era, como dizem os americanos, um circuito de rua norte-americano ‘antiquado'”, disse ele. “A pista foi construída entre as paredes de concreto. Era uma pista muito traiçoeira que era muito acidentada. Mônaco era uma mesa de bilhar comparado a esta pista. Depois que ele se classificou muito bem, ele levou um quarto lugar na corrida. Ayrton teve que abandonar devido ao dano que o carro sofreu quando ele bateu no muro.

Symonds então explicou o que havia acontecido: “Ele voltou aos boxes e ficou muito indignado. Ele estava em choque, ele não acreditava que tivesse atingido o muro. Sua reação foi: ‘Eu não cometi um erro, esse muro deve ter sido movido”. O bloco de concreto de que Ayrton falava pesava 20 toneladas, então estávamos todos céticos sobre seu comentário. Ele estava tão confiante que me convenceu a andar pelo circuito depois da corrida. Ele me disse para olhar o ponto onde ambos os blocos de concreto eram conectados.

“Nós caminhamos em direção a ele e realmente cheguei à conclusão de que a parede havia sido movida. Alguém havia atingido o bloco de concreto anteriormente e o muro foi movido por ele. Os dois blocos não estavam mais conectados e havia uma rachadura entre os dois blocos. Esse foi o momento em que percebi por mim mesmo que ele realmente tinha um olho para a perfeição. Não se esqueça de que esse garoto estava apenas em sua primeira temporada de Fórmula 1”, explicou Symonds.

O Grande Prêmio da Grã-Bretanha

O segundo pódio de Ayrton na Fórmula 1 aconteceu em um circuito onde ele tinha a experiência necessária. Brands Hatch sediou a décima rodada do campeonato mundial em 1984. Na sexta-feira, Rory Byrne conversou com Ayrton e Johnny Cecotto sobre os ajustes no carro. Ayrton conseguiu colocar o carro na melhor ‘janela’, ele iria dirigir pela sétima vez na qualificação. O companheiro de equipe Cecotto estava infeliz, ele sofreu um grave acidente na sexta-feira, quando quebrou as pernas. Foi o fim da sua carreira na Fórmula 1. Ayrton mais tarde indicou que Johnny tinha uma ótima carreira pela frente e era um cara muito adequado dentro e fora da pista.

No começo, Ayrton perdeu um lugar e terminou em oitavo lugar. Ele rapidamente alcançou três pilotos e foi quinto quando a corrida foi interrompida após o acidente de Jonathan Palmer. No reinício, Ayrton lutou contra a Ferrari de Alboreto. Eventualmente, ele passou Elio de Angelis e foi sexto – Ayrton havia perdido alguns pontos no reinício. Mais tarde, ele seguiu Elio de Angelis novamente e alcançou-o na 41ª das 71 voltas. Isso colocou Ayrton em quarto lugar. Um quarto lugar se tornou um terceiro lugar quando Nelson Piquet de repente não tinha mais velocidade no Brabham. Depois de manter seu carro no asfalto para a última parte da corrida, Ayrton ficou em terceiro lugar no seu segundo pódio em sua carreira na Fórmula 1.

Depois ele foi perguntado como era estar no pódio em um circuito ‘normal’: “É realmente ótimo. Estou muito feliz. Meu time fez um carro muito bom disponível para mim e é por isso que eu estava no pódio novamente em Brands Hatch, que eu conhecia das categorias inferiores.”

Adeus com um pódio em Portugal

Ayrton já tinha assinado pela Lotus e conduziu a sua última corrida para a Toleman. A Toleman seria vendida em 1985 e continuaria sob o nome Benetton. Ayrton marcou seu terceiro pódio do ano.

Durante a qualificação, o brasileiro foi impressionante. No fim de semana, a batalha pelo título entre Prost e Lauda seria decidida. Durante a corrida, Ayrton alcançou a Ferrari de Michele Alboreto na última volta e conseguiu terminar seu trabalho na equipe britânica com um pódio. No final do Grande Prêmio, Ayrton recebeu um presente de sua equipe dizendo: “A Toleman nunca mais será a mesma sem Senna”.

Os treze pontos que Ayrton ganhou para a equipe em 1984 incluem os três ‘meio pontos’ que foram concedidos em Mônaco. Ayrton e Nigel Mansell (Lotus) terminaram em nono lugar no campeonato. A Toleman terminou com dezesseis pontos em sétimo lugar no campeonato de construtores. Isso inclui os três pontos que Stefan Johansson marcou na Itália.

Chassi: Toleman TG184

Projetista: Rory Bryne

Motor: Hart Turbo de 1.5 Litro, quatro cilindros em linha.

Pilotos: Ayrton Senna, Johnny Cecotto, Stefan Johansson e Pierluigi Martini

Corridas: 12

Vitórias: 0

Pole-Positions: 0

Voltas Mais Rápidas: 1 (Senna 1)

Pontos: 14 (Senna 11, Johansson 3)

Suspensão traseira e caixa de câmbio

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