Safety Car: a história do guardião do grid

O Safety Car é acionado quando é necessário reduzir a velocidade dos carros da F1, no caso de um acidente ou condições climáticas pesadas. Se trata de um carro muito potente, já que cabe a ele e seu piloto ditar o ritmo para algumas das máquinas mais rápidas do mundo. Mas qual a história dos antepassados da Mercedes reluzente que chama tanta atenção nos finais de semana de corrida?

Um começo desastroso

O primeiro registro do uso do Safety Car na Fórmula 1 é do GP do Canadá de 1973. Aquela corrida foi marcada por muitos acidentes debaixo de forte chuva. A solução encontrada foi mandar um Porsche 914 para a pista, a fim de se posicionar a frente do líder, diminuindo a velocidade dos corredores. Porém, o piloto do Porsche, Eppie Wietzer, decidiu se colocar a frente de um piloto que não era o líder da prova. Com isso, vários carros ganharam uma volta. Com a bandeirada, ninguém sabia quem realmente havia vencido a corrida. Os oficiais demoraram horas para tomar uma decisão, mas não sem ouvir protestos. Dessa forma, a primeira encarnação do Safety Car foi um completo fracasso.

O primeiro Safety Car. Reprodução globoesporte.com

A F1 não cogitou a ideia até 1981, quando um belo Lamborghini Coutach exerceu a função no GP de Mônaco daquele ano. O carro continuou atuando no principado em 1982 e em 1983. Somente dez anos depois veríamos o retorno do Safety Car.

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O Coutach usado como Safety Car no GP de Mônaco. (Fonte: https://www.carkeys.co.uk/news/top-10-f1-safety-cars)

Período de revezamento

Em 1993, no GP do Brasil, o agora icônico Fiat Tempra exerceu a função de Safety Car. O carro brasileiro foi acionado por causa da chuva, e acabou transportando o ilustre vencedor daquela prova, Ayrton Senna. Com certeza um dos dias mais icônicos para se estar em Interlagos. O video abaixo dá uma ideia de como foi aquele dia.

Ainda em 93, um Ford Escort foi o Safety Car na França e na Inglaterra. No ano seguinte, novamente dois carros foram para a pista. O primeiro, um Opel Vestra, foi testemunha do trágico GP de San Marino. O outro foi um Honda Prelude, que apareceu em Suzuka, depois de acidentes causados pela forte chuva.

Em 1995, carros consideravelmente mais potentes receberam o fardo. Estamos falando de um Porsche 911 GT2 e de um Lamborghini Diablo. Além de um Tatra 613 no GP da Húngria. Quem diria que em alguma lista de carros uma Lamborghini estaria ao lado de um Tatra de um Tempra.

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O Diablo foi o Safety Car no Canadá em 1995. (Fonte:https://www.carkeys.co.uk/news/top-10-f1-safety-cars)

Um outro domínio da Mercedes

O ano de 1996 foi um ponto importante nessa história. A primeira Mercedes exerceu o papel de guiar o grid no GP da Bélgica daquele ano. O modelo C36 AMG inaugurou a tradição de carros da marca alemã na posição. Contudo, ele não foi o único Safety Car daquela temporada, que também contou com um Renault Clio no elenco.

Contando com o modelo atual, a Mercedes já contou com 12 modelos como Safety Car desde 96. Em 1997, a FIA entrou em acordo com a empresa para suprir os carros por temporadas completas. Até hoje, os alemães ofereceram somente modelos AMG, com destaque para as séries SL e CL.

O carro utilizado na temporada de 2018 é o mais impressionante da história da F1. O AMG GT R é equipado com um motor 4.0 V8 biturbo que gera 585 cavalos. Seu piloto, Bernd Maylander, está na função desde o ano 2000.

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O Mercedes SL AMG GT, Safety Car de 2012 a 2014. Fonte: (https://www.carkeys.co.uk/news/top-10-f1-safety-cars)

Uma nova solução

Em 2014, com o acidente de Jules Bianchi no Japão, a FIA iniciou um projeto para uma solução técnica que contemple situações como aquela. Se trata de algo no meio do caminho, não exigia a presença do Safety Car, nem poderia ser resolvida com uma bandeira amarela simples. Por fim, o Virtual Safety Car nasceu. Em um conceito parecido com as Slow Zones de Le Mans, por exemplo, ele obriga os pilotos a reduzirem os tempos de volta em uma determinada porcentagem. No caso, eles devem andar 40% mais lentos.

O VSC foi testado nos treinos dos três últimos finais de semana da temporada de 2014. No ano seguinte, a tecnologia foi usada brevemente em Mônaco, sendo que logo foi sucedido pelo Safety Car na pista. Já em Silverstone, naquele mesmo ano, ele foi acionado por mais tempo, e continua no regulamento da categoria até hoje. Mesmo com esse apetrecho tecnológico, provavelmente não deixaremos de ver um poderoso carro esportivo a frente do grid da F1 tão cedo.

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